Lula volta dos EUA otimista após encontro com Trump, mas sem acordos formais

Lula volta dos EUA otimista após encontro com Trump, mas sem acordos formais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou sua visita aos Estados Unidos com um tom de otimismo após uma reunião de três horas com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca. Apesar de nenhum acordo formal ter sido assinado, o encontro abriu canais de negociação e reforçou a imagem de uma relação […]

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou sua visita aos Estados Unidos com um tom de otimismo após uma reunião de três horas com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca. Apesar de nenhum acordo formal ter sido assinado, o encontro abriu canais de negociação e reforçou a imagem de uma relação cordial entre os líderes, em um momento de escalada de tensões globais com a Guerra do Irã.

A comitiva brasileira chegou a Washington com três objetivos principais: mitigar o risco de novas tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, expandir a cooperação bilateral no combate ao crime organizado e avançar nas discussões sobre minerais críticos. Em nenhum desses eixos houve uma conclusão definitiva, mas a criação de grupos de trabalho bilaterais sinaliza a intenção de dar continuidade às negociações.

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Fontes próximas ao governo brasileiro avaliam que a viagem gerou um ganho político para Lula, que busca explorar essa aproximação durante o período eleitoral. A capacidade de dialogar diretamente com o presidente dos EUA, mesmo em meio a divergências, é vista como um trunfo.

Destravando a Seção 301

Um dos focos centrais da visita era a Seção 301, uma investigação comercial americana que pode resultar na imposição de sobretaxas sobre exportações brasileiras. O governo brasileiro almejava o encerramento desse processo ou, no mínimo, garantias de que a investigação não seria utilizada como ferramenta de pressão política.

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Como resultado da reunião, ficou estabelecido um prazo de 30 dias para que ministros de ambos os países se reúnam e apresentem uma proposta para a resolução da disputa comercial. Trump acenou positivamente ao cronograma proposto por Lula.

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apresentou dados que indicam que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos americanos é de 2,7%. Ele defendeu o encerramento da investigação, destacando que negociações futuras entre o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o Departamento de Comércio, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) buscarão o fim das tarifas e a definição de novas regras.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, complementou que o Brasil registrou um déficit comercial de aproximadamente R$ 14 bilhões com os Estados Unidos no último ano. Dados americanos indicam um déficit ainda maior, próximo de R$ 30 bilhões, o que reforça o argumento brasileiro contra a imposição de tarifas.

Combate ao Crime Organizado e Minerais Críticos

Na área de segurança, o ministro da Justiça, Wellington César Lima, relatou que Trump demonstrou grande atenção às propostas brasileiras. Foi apresentada a ideia de criar uma base em Manaus para o combate ao crime organizado nas fronteiras, com a participação de delegados de todos os países sul-americanos.

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Lula anunciou também o lançamento, na semana seguinte, de um plano nacional de combate ao crime organizado. Ele ressaltou que facções criminosas específicas, como o PCC e o CV, e a classificação de grupos como organizações terroristas não foram temas centrais da discussão.

Em relação aos minerais críticos, o presidente brasileiro enfatizou que o Brasil não privilegiará nenhum parceiro internacional na exploração desses recursos. No entanto, ele deixou claro que o país não repetirá o modelo histórico de exportação de matéria-prima bruta, buscando agregar valor industrialmente no território nacional.

Empresas de diversas nacionalidades, incluindo americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas, poderão investir no setor, desde que o processamento industrial ocorra no Brasil. Lula convidou interessados a participarem do desenvolvimento do setor, visando a produção de riqueza a partir de terras raras.

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Diplomacia e Questões Internacionais

Lula entregou a Trump uma cópia do acordo firmado em Teerã, em 2010, sobre o enriquecimento de urânio iraniano para fins pacíficos. Segundo o presidente brasileiro, Trump se comprometeu a analisar o documento.

O presidente americano também teria afirmado que não pretende invadir Cuba. Lula se colocou à disposição para intermediar conversas com Cuba, Irã e Venezuela, embora tenha reforçado que o foco principal da visita foi a agenda bilateral com os Estados Unidos.

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Adicionalmente, Lula propôs a realização de uma reunião entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para debater reformas na organização e buscar caminhos para a paz. Ele informou ter feito um pedido semelhante aos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin.

Eleições e Interferência

Questionado sobre a possibilidade de Trump apoiar a oposição brasileira, Lula afirmou que o tema não foi discutido. Ele reiterou que as eleições no Brasil são decididas pelo povo brasileiro e que não lhe cabe questionar o mandato de Trump.

“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições”, declarou Lula, em referência à sua vitória eleitoral.

O clima descontraído do encontro foi evidenciado por uma brincadeira de Lula com Trump sobre a Copa do Mundo de 2026. O presidente brasileiro relatou ter pedido ao americano para não anular o visto dos jogadores brasileiros, o que teria arrancado risadas de Trump.

“Vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara fria”, comentou Lula.

Fonte: G1

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