A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) em defesa do Bolsa Família e a sugestão de ampliar a proteção aos beneficiários que conquistam um emprego formal ou abrem um negócio próprio geraram uma nova onda de embates nas redes sociais entre o PT e o bolsonarismo. A resposta do Partido dos Trabalhadores (PT) não demorou e veio com críticas diretas, acusando o senador de “fingir” defender o programa social.
Em uma publicação na quarta-feira, o PT destacou que Flávio Bolsonaro está em “queda nas pesquisas” e, por isso, estaria “fingindo até defender” o programa. Para reforçar a crítica, a legenda divulgou um vídeo com falas antigas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticando o Bolsa Família, insinuando uma mudança de estratégia do filho do ex-presidente às vésperas da campanha eleitoral.
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O vídeo do PT se encerra com a mensagem “eles podem até fingir, mas o povo conhece a verdade”, em clara alusão à percepção de oportunismo político por parte de Flávio Bolsonaro.
Proposta de Flávio Bolsonaro
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que o Bolsa Família é um “direito adquirido” e uma “estabilidade para quem já passou fome”. Ele propôs a criação de um programa para garantir que os beneficiários continuem recebendo o auxílio por um período maior, mesmo após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa.
O senador argumentou que muitas pessoas evitam buscar empregos formais por medo de perder o benefício. “Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício”, explicou.
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Flávio Bolsonaro também mencionou o receio de que, ao perder o Bolsa Família e, eventualmente, o emprego formal, a pessoa retorne a um estado de vulnerabilidade extrema, como a fome ou a necessidade de pedir dinheiro nas ruas.
Regra atual e críticas do PT
Atualmente, a regra do Bolsa Família prevê que beneficiários que conseguem um emprego formal passam a receber 50% do valor do benefício por mais dois anos, desde que a renda per capita da família não ultrapasse meio salário mínimo. A proposta de Flávio Bolsonaro sugere estender esse período de proteção, embora os detalhes de como isso seria implementado não tenham sido detalhados.
A reação do PT remete às posições históricas de Jair Bolsonaro, que frequentemente criticou o Bolsa Família, associando-o a um “cabide de empregos” e a um estímulo à dependência do Estado. A legenda petista busca capitalizar essa contradição para desgastar a imagem do bolsonarismo.
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Contexto eleitoral e pesquisas
A troca de farpas ocorre em um cenário eleitoral competitivo. Uma pesquisa recente da Genial/Quaest indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 29%, uma queda em relação ao mês anterior (33%).
O levantamento também aponta que Lula venceria Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno por 44% a 38%. A pesquisa sugere que o senador bolsonarista perdeu apoio especialmente entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste, o que pode explicar a tentativa de Flávio Bolsonaro de se reposicionar em relação a programas sociais.
Fonte: g1.globo.com
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