Documentos da Polícia Federal (PF) detalham uma relação de proximidade e confiança entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações, parte da Operação Compliance Zero, investigam suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o conglomerado bancário.
As apurações indicam um padrão de benefícios recebidos pelo parlamentar, que incluem hospedagens em hotéis de luxo na Europa e repasses financeiros significativos.
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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também é citado em mensagens como beneficiário de hospedagens pagas por Vorcaro.
Hospedagens de luxo em Lisboa e outros destinos
Em junho de 2024, Daniel Vorcaro custeou hospedagens de Ciro Nogueira e Arthur Lira no hotel Four Seasons Ritz Lisboa. As diárias em suítes júnior custaram cerca de R$ 91,3 mil por parlamentar.
Vorcaro teria orientado um auxiliar a garantir reservas para si e para os dois congressistas, em um período que coincidiu com o Fórum Jurídico de Lisboa.
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As investigações apontam que essa não foi uma ocorrência isolada, mas sim parte de um modus operandi onde Vorcaro cobria despesas pessoais de Ciro Nogueira de forma sistemática, buscando manter o nome do senador fora das faturas diretas.
Outras viagens internacionais também foram identificadas. Em abril de 2024, Ciro Nogueira teria jantado em um restaurante em Paris com despesa de US$ 1.981, paga por Vorcaro. No mês seguinte, o senador se hospedou em Nova York por seis noites em uma suíte royal, com custo de US$ 47,7 mil.
Em janeiro de 2025, despesas em Courchevel, nos Alpes franceses, somaram R$ 1,85 milhão em cartões de Vorcaro, incluindo compras em grifes de luxo. Os benefícios diretos em viagens atribuídos a Ciro Nogueira ultrapassam R$ 468,7 mil.
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Pagamento em dinheiro vivo e a “Emenda Master”
Mensagens encontradas pela PF sugerem um pagamento em espécie de R$ 350 mil ao senador em agosto de 2025. A referência “Espécie Ciro 350k” foi identificada como um possível repasse em dinheiro vivo.
Embora uma tentativa inicial de correlacionar o valor a um voo com destino a Ciro Nogueira tenha sido afastada devido a diferenças temporais, a PF mantém a relevância das conversas como indícios de repasses irregulares.
A investigação também aponta para o envolvimento de Ciro Nogueira na apresentação de uma proposta legislativa conhecida como “Emenda Master”. Em 2024, o senador propôs aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
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Segundo a PF, o texto da proposta era idêntico a um documento produzido pelo Banco Master, que se beneficiaria diretamente do aumento da cobertura para atrair investidores para seus CDBs.
Mensagens apreendidas indicam que Daniel Vorcaro acompanhava a tramitação da emenda com expectativa, e um ex-diretor jurídico do banco chegou a afirmar que a aprovação “sextuplicaria” o negócio.
A proposta foi rejeitada pelo Congresso Nacional.
Repasses milionários e indícios de lavagem de dinheiro
O núcleo central das investigações aponta para repasses milionários entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Entre 2024 e 2025, o ex-banqueiro teria transferido ao menos R$ 6 milhões ao senador por meio de empresas ligadas às duas famílias.
Os valores teriam começado em R$ 300 mil mensais e chegado a R$ 500 mil, com indícios de aumento nos repasses sugeridos em trocas de mensagens.
A PF identificou indícios de lavagem de dinheiro nessas operações, com suspeita de uso de empresas da família do senador para ocultar recursos.
Depósitos fracionados em espécie são apontados como um padrão associado por investigadores a tentativas de burlar controles financeiros.
As investigações da PF apontam indícios dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
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O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça. Recentemente, a Segunda Turma do STF manteve a prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro.
Fonte: G1