Oposição questiona sigilo de 100 anos a visitas de empresário na PF e leva caso ao TCU

Oposição questiona sigilo de 100 anos a visitas de empresário na PF e leva caso ao TCU

O deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou, nesta quarta-feira (29), uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de manter sob sigilo por 100 anos os registros de visitas a Daniel Vorcaro, empresário que esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Princípios de […]

Resumo

O deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou, nesta quarta-feira (29), uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de manter sob sigilo por 100 anos os registros de visitas a Daniel Vorcaro, empresário que esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Princípios de Transparência sob Ataque

O parlamentar argumenta que a medida imposta pelo governo federal viola os princípios constitucionais da publicidade, da transparência e da moralidade administrativa. Além disso, o deputado sustenta que a decisão contraria diretamente a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), que estabelece a publicidade como regra geral e o sigilo como exceção.

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Sanderson defende que os registros de entrada e saída de visitantes em um órgão público são documentos administrativos e, como tal, devem estar sujeitos ao controle social. Ele pondera que, mesmo na eventualidade de dados pessoais sensíveis, a divulgação parcial das informações, com a devida supressão de dados íntimos, seria suficiente para resguardar a privacidade sem comprometer a transparência.

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Sigilo como Regra?

Em suas declarações, o deputado ressaltou a importância de não transformar a exceção em regra. “O sigilo de 100 anos deve ser utilizado apenas nas hipóteses previstas em lei, com fundamentação concreta e proporcional. Quando há interesse público envolvido, a transparência deve prevalecer”, afirmou Sanderson.

O documento apresentado ao TCU aponta que o Ministério da Justiça aplicou de forma ampla e desproporcional a proteção à intimidade prevista na Lei de Acesso à Informação. Segundo o deputado, não houve demonstração clara de quais dados específicos necessitariam de proteção nem justificativa para a impossibilidade de fornecer os registros com as informações pessoais adequadamente ocultadas.

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Interesse Público e Controle Social

O parlamentar enfatiza que os documentos em questão se referem ao acesso de pessoas a uma unidade da Polícia Federal durante um período de relevante interesse institucional, envolvendo procedimentos conduzidos por órgãos públicos. A investigação sobre as visitas de Daniel Vorcaro, que esteve detido em decorrência de operações policiais, levanta questionamentos sobre quem teria interesse em acessar essas informações restritas.

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Na representação, Sanderson solicita que o TCU inicie um procedimento de fiscalização. A expectativa é que o tribunal requisite o processo administrativo que fundamentou a manutenção do sigilo, incluindo pareceres técnicos e jurídicos. O objetivo é revisar a decisão ministerial caso seja constatada incompatibilidade com a Constituição Federal e com a Lei de Acesso à Informação.

Democracia e Transparência

O deputado concluiu sua argumentação destacando o papel fundamental do controle público na democracia. “É fundamental garantir que os órgãos públicos atuem com transparência e permitam o devido acompanhamento da sociedade. O controle público é um instrumento essencial da democracia”, reforçou.

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A decisão do Ministério da Justiça de impor sigilo de longo prazo a informações que deveriam ser públicas tem gerado reações no meio político e entre especialistas em transparência, que veem a medida como um retrocesso na garantia do direito à informação e no combate à corrupção.

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