O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), rompeu o silêncio e disparou duras críticas contra seu ex-secretário da Casa Civil, Marcelo Aro (PP). Aro emergiu como o principal nome da direita mineira para a disputa pelo Palácio Tiradentes, após a desistência de Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Zema classifica movimentação de Aro como ‘traição’
Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira, Zema classificou a manobra política de Aro como uma clara “traição”. Ele lamentou as articulações que, segundo ele, foram conduzidas em Brasília, rotulando-as como um retorno da “velha política” ao estado.
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“Essa traição do Aro é um dos problemas da política brasileira. As pessoas só pensam nos seus próprios interesses, sem pensar nos outros. O que o Aro andou fazendo em Brasília vai acabar abrindo a porta para os políticos vendidos voltarem a destruir Minas”, desabafou o ex-governador.
Críticas a acordos ‘pelas costas’ e ‘velha política’
Sem mencionar nominalmente os partidos envolvidos nas negociações – PP, Republicanos, PL e a federação União Progressista –, Zema criticou os acordos construídos nos bastidores para viabilizar a candidatura de seu ex-aliado. Ele argumentou que tais articulações contrariam o projeto político que ele iniciou durante seus mandatos.
“Para o Estado continuar prosperando, a gente não pode dar chance para essas aves de rapina que ficam só sobrevoando e esperando a oportunidade de atacar. Ninguém gosta de traição e isso definitivamente não faz parte do projeto que nós construímos, não faz parte da cultura familiar mineira. Esses acordos pelas costas são a mesma velha política que quebrou Minas e que a gente, com muito custo, trabalho duro, conseguiu reconstruir.”
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Mudança de postura e cenário eleitoral em Minas
As declarações de Zema marcam uma mudança significativa em sua postura. Até recentemente, o ex-governador evitava intervir publicamente no conflito entre o atual governador, Mateus Simões (PSD), e Marcelo Aro. Aliados chegaram a sugerir uma reunião para pacificar os dois, mas Zema optou por não mediar, temendo que sua intervenção pudesse ser interpretada como um endosso a um dos lados.
A reviravolta ocorreu com o avanço das articulações para transformar Aro no candidato ao governo, com o apoio do PL, Republicanos e da federação União Progressista. Ex-secretário de Zema, Aro era cotado para disputar o Senado na chapa de Simões, mas perdeu espaço com a acomodação do senador Carlos Viana (Podemos) na disputa pela reeleição pelo PSD.
Alianças podem reconfigurar disputa pelo governo de Minas
A indefinição de Cleitinho Azevedo sobre concorrer ao governo impulsionou dirigentes do PL e Republicanos a buscarem uma alternativa para unificar a direita em Minas, colocando Aro no centro das negociações. Caso essa aliança se concretize, Mateus Simões disputará a reeleição com o apoio do PSD e do Novo. Em contrapartida, PL, Republicanos, PP e a federação União Progressista migrarão para o palanque adversário. Nos bastidores, aliados de Simões veem esse cenário como o mais desfavorável para sua campanha, dada a força eleitoral desses partidos no estado.
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A possível candidatura de Aro tem o potencial de alterar drasticamente o panorama eleitoral em Minas Gerais, especialmente em regiões como o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas, onde esses partidos possuem forte penetração eleitoral.
Fonte: G1