O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem dado sinais de que busca uma reaproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação ocorre após um período de relações estremecidas e críticas vindas do Palácio do Planalto sobre a condução da pauta na Casa Alta.
Acenos e Reuniões Estratégicas
Um dos primeiros movimentos de Alcolumbre foi receber, na última terça-feira (30/6), a recém-indicada líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). A reunião contou com a presença do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
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Na ocasião, governistas reiteraram o pedido para que Alcolumbre segurasse propostas com alto impacto fiscal, como a PEC da aposentadoria especial para agentes de saúde, e priorizasse pautas de interesse do governo, como a PEC que visa o fim da escala de trabalho 6×1.
Horas após o encontro, Alcolumbre anunciou que, embora houvesse apelos para agilizar a análise da PEC dos agentes de saúde, seguiria o rito constitucional. Isso significa que o texto passará por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro e segundo turnos, na prática, retardando sua aprovação.
Durante a sessão, o presidente do Senado elogiou Teresa Leitão, destacando sua capacidade de articulação e compreensão do papel da presidência do Congresso. Alcolumbre declarou-se “à total disposição para entender as demandas do governo”.
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Reclamações e Reconstrução de Pontes
Apesar dos gestos de aproximação, Davi Alcolumbre também aproveitou para reclamar das críticas que tem recebido sobre a pauta do Senado. Ele refutou o rótulo de “homem da pauta-bomba” e mencionou que poderia apresentar um levantamento de propostas que ampliaram isenções fiscais ou flexibilizaram regras governamentais.
Nos bastidores, parlamentares da base governista veem a troca na liderança do governo no Senado como um fator positivo para a reconstrução da interlocução com Alcolumbre. Teresa Leitão é descrita como uma senadora de perfil conciliador, o que facilitaria o diálogo.
O governo também tem buscado o apoio de ministros que retornaram ao Senado, como Camilo Santana (PT-CE) e Carlos Fávaro (PSD-MT), para fortalecer a articulação política. O ministro José Guimarães e outros membros do Executivo trabalham para diminuir as tensões entre o Legislativo e o Planalto.
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Uma senadora da base classificou o momento como de “acomodação”, indicando que as relações, após turbulências recentes, parecem estar se estabilizando.
Histórico de Desgaste entre Lula e Alcolumbre
A relação entre Lula e Alcolumbre passou por um período de crise. Inicialmente, Alcolumbre foi um importante aliado, indicando nomes para ministérios como o de Desenvolvimento Regional e Comunicações. O desgaste começou em novembro de 2025, quando Lula indicou Jorge Messias para o STF, enquanto Alcolumbre defendia Rodrigo Pacheco.
A tensão se acentuou em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Messias ao STF, com Alcolumbre apontado como articulador. Disputas por indicações em agências reguladoras e a análise de vetos presidenciais também marcaram o período.
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O Caso Jaques Wagner e a Defesa das Prerrogativas
A operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA) e levou à sua saída da liderança do governo no Senado serviu para reaproximar o senador baiano de Alcolumbre, com quem estava afastado desde 2025.
Alcolumbre defendeu Jaques Wagner em diversas ocasiões, especialmente após as buscas e apreensões relacionadas a fraudes do Banco Master. Ele determinou que a Advocacia do Senado ingressasse como parte no inquérito, buscando restabelecer as prerrogativas do mandato do senador.
O presidente do Senado criticou decisões judiciais que, segundo ele, estariam “diminuindo a condição do mandato do senador”. As buscas contra Wagner foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, com quem Alcolumbre possui desavenças históricas.
Esse gesto foi interpretado por senadores como uma reafirmação da defesa das prerrogativas parlamentares por parte de Alcolumbre e um sinal de disposição para reconstruir pontes com o Planalto. Para alguns, o movimento também visa evitar que investigações em andamento sejam associadas a disputas políticas.
Um senador ouvido pela reportagem avalia que Alcolumbre busca manter um equilíbrio, sem desagradar completamente o governo ou a oposição, já de olho na sua própria reeleição para a presidência do Senado em 2027.
PEC 6×1 e a Transição de Pauta
Além das críticas como “homem da pauta-bomba”, Alcolumbre tem reclamado da pressão em torno da PEC que extingue a escala 6×1, uma prioridade do governo Lula.
Ele chegou a afirmar no plenário que estava sofrendo ameaças de “autoridades importantes da República”, além de críticas consideradas “razoáveis”. Alcolumbre expressou irritação com manifestações de figuras como a deputada Erika Hilton (PSol-SP) e o ministro Guilherme Boulos.
No entanto, no dia seguinte, Alcolumbre recebeu representantes de centrais sindicais para discutir a proposta, marcando o primeiro encontro sobre o tema desde que a PEC chegou ao Senado em maio.
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Nesse encontro, Alcolumbre surpreendeu os convidados ao indicar defender uma redução imediata da jornada de trabalho, questionando a necessidade de um período de transição longo. O senador Paulo Paim (PT-BA) relatou que Alcolumbre deu a impressão de que a emenda poderia entrar em vigor imediatamente após sua promulgação.
Como desdobramento, Alcolumbre determinou que a equipe técnica do Senado elaborasse uma emenda para remover o período de transição de 14 meses previsto na PEC. Essa sinalização foi vista como um gesto incomum em direção a setores alinhados ao governo.
Fonte: g1.globo.com