O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em uma reunião sigilosa e fora da agenda oficial em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto.
Na ocasião, Lula teria aconselhado Vorcaro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, do empresário André Esteves, por um valor considerado simbólico. O encontro, que durou um tempo considerável, também contou com a participação de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central, que assumiria o cargo semanas depois.
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A reunião foi articulada por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda durante o governo Dilma Rousseff, que foi contratado por Vorcaro como consultor, a pedido, segundo relatos, do Palácio do Planalto.
Críticas a Campos Neto e Esteves
De acordo com informações divulgadas, Vorcaro teria exposto a Lula as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Master e a proposta de aquisição pelo BTG. Em resposta, Lula teria expressado críticas ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a André Esteves, acionista controlador do BTG Pactual.
Este último, histórico desafeto de Lula, chegou a ser preso na Operação Lava Jato, o que teria motivado as críticas do presidente.
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Após ouvir as preocupações do banqueiro, Lula teria recomendado que ele seguisse com seu banco, recusando a oferta do BTG e garantindo que a situação financeira melhoraria com a posse de Galípolo no Banco Central.
‘Gentilezas’ ao governo
Além da contratação de Guido Mantega por R$ 1 milhão mensal, Daniel Vorcaro realizou outras ações que beneficiaram o governo e aliados. O escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça, também foi contratado pelo Banco Master.
Outro movimento de Vorcaro foi a aquisição da participação majoritária na Biomm, fabricante de insulina pertencente à família de Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro e amigo pessoal de Lula. O laboratório enfrentava dívidas milionárias antes da intervenção do Banco Master.
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Com a entrada do fundo Cartago, de Vorcaro, como maior acionista da Biomm, o laboratório foi reinaugurado em abril de 2024 com a presença de Lula, da ministra da Saúde Nísia Trindade e de Alexandre Padilha, então ministro de Relações Institucionais. Pouco tempo depois, a Biomm obteve um contrato de mais de R$ 300 milhões com o Ministério da Saúde.
Curiosamente, Daniel Vorcaro não compareceu à reinauguração da Biomm, preferindo estar em Londres para um evento patrocinado pelo Banco Master. Na capital britânica, ocorreu uma degustação de uísque e charutos, com a presença de diversas autoridades do Judiciário e do governo, evento cujos custos foram arcados por Vorcaro.
Fonte: Poder360
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