A Polícia Federal (PF) aprofundou as investigações sobre o esquema financeiro envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Novas informações apontam para uma extensa rede de articulações políticas, com a suposta oferta de benefícios a parlamentares em troca de ações em favor da instituição.
Um relatório da Operação Compliance Zero, tornado público na terça-feira (16/6), detalha que Vorcaro teria custeado viagens internacionais, hospedagens de luxo e outras vantagens para políticos influentes no Congresso Nacional.
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Entre os citados no documento está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem Vorcaro se referiu em mensagens privadas como um “grande amigo de vida”. O senador é apontado como um dos principais destinatários de repasses financeiros.
Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aparece em conversas que indicam a solicitação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa ligada à sua cunhada. Lira não é investigado pela PF.
O senador Ciro Nogueira é descrito pela PF como o principal beneficiário de pagamentos indevidos, que poderiam ultrapassar R$ 500 mil mensais, totalizando cerca de R$ 6 milhões entre 2024 e 2025. Além de valores em espécie, o parlamentar teria recebido participação societária em empresas e o custeio de viagens em jatos particulares e hospedagens de luxo.
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Em contrapartida, a PF sustenta que Nogueira atuava no Senado em pautas de interesse do Banco Master. Um exemplo citado é a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, conhecida como Emenda Master, que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A proposta, segundo a investigação, foi redigida pela assessoria jurídica do banco e visava beneficiar o modelo de negócios do Master, que captava recursos protegidos pelo FGC para investimentos de maior risco. Vorcaro teria celebrado a emenda, classificando-a como uma “bomba atômica no mercado financeiro” que “sextuplicaria” os negócios da instituição.
Relação pessoal e profissional
As mensagens obtidas pela PF revelam uma relação próxima entre Nogueira e Vorcaro, com o banqueiro expressando grande apreço pelo senador. Conversas indicam planos de apresentações mútuas e até a intenção de comparecer ao casamento da filha do senador.
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A investigação também aponta que Daniel Vorcaro teria custeado sistematicamente viagens e despesas pessoais de Ciro Nogueira entre 2024 e 2025, incluindo destinos como Paris, Nova York e Portugal, com uso frequente de jatos particulares.
Presidente da Câmara em Lisboa
Um episódio destacado no relatório é uma viagem a Lisboa em junho de 2024, onde o senador Ciro Nogueira teria dividido um jato particular com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Mensagens de WhatsApp de Vorcaro indicam a reserva de hotéis para ambos, com o custo de cerca de 3 mil euros pelas diárias.
Arthur Lira afirmou ter “muita tranquilidade” sobre as citações, classificando suas relações como “corretas e institucionais”. Ele declarou que o encontro ocorreu em um evento corporativo e jurídico em Lisboa e que desconhecia qualquer irregularidade envolvendo o ex-banqueiro.
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As datas coincidem com o Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo IDP. As conversas também indicam que Lira teria solicitado a Vorcaro a liberação de um empréstimo no Banco Master para uma empresa ligada à sua cunhada, Bianca Araújo Medeiros, para a compra de um terreno em João Pessoa (PB).
Lira defendeu a operação, afirmando que seguiu os trâmites regulares e que o banco estava autorizado a operar na época. Ele ressaltou que o pedido partiu da cunhada, que buscou o financiamento formalmente.
Senador Jaques Wagner sob suspeita
Na quinta-feira (18/6), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão da PF. Ele é suspeito de ter recebido vantagens indevidas por meio de pessoas ligadas a Vorcaro, para defender interesses do banco no Congresso.
O ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi alvo da operação. Segundo a PF, Augusto atuava como interlocutor recorrente com Jaques Wagner, repassando informações sobre rating, estrutura acionária e temas sensíveis ao grupo econômico investigado.
As primeiras vantagens atribuídas a Wagner incluem viagens em aeronaves particulares e ingressos para um show da cantora Taylor Swift em Los Angeles, em junho de 2023, pagos pela empresa Reag Investimentos, no valor de mais de R$ 63 mil.
A investigação também aponta para a negociação de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner teria encaminhado a Augusto Lima o contato do gerente da construtora e informações sobre a unidade de R$ 2,45 milhões. Meses depois, Wagner teria solicitado informações complementares sobre a titularidade do imóvel.
A PF identificou ainda repasses que seriam destinados a Wagner no valor total de R$ 3,5 milhões, originados de uma empresa ligada a Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa ligada à família do senador.
Em nota, a defesa de Jaques Wagner negou que o senador tenha atuado em favor do Banco Master e reforçou que ele não é réu nem foi formalmente denunciado no caso.
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Fonte: G1