A Via Campesina lançou um alerta sobre o crescente uso de drones para a pulverização de agrotóxicos em diversas regiões de Minas Gerais, com foco especial nos Vales do Mucuri e do Rio Doce. A organização aponta que a tecnologia, embora promissora em outros contextos, tem sido aplicada sem o devido controle e fiscalização, colocando em risco comunidades rurais, produções orgânicas e o meio ambiente.
O tema foi central no Seminário de Formação em Defesa da Agricultura Familiar e da Alimentação Saudável, realizado em Governador Valadares. O evento reuniu trabalhadores rurais, quilombolas, indígenas e representantes de entidades públicas e sindicais para debater a segurança alimentar e os desafios da agroecologia no estado.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Novas Tecnologias, Velhos Riscos
A pulverização aérea com drones surge como um novo desafio para a agricultura familiar mineira. Pesquisadores e representantes de movimentos sociais destacaram a falta de regulamentação e fiscalização eficaz para essa nova modalidade de aplicação de defensivos agrícolas. A preocupação é que a tecnologia amplie silenciosamente o uso de agrotóxicos em todo o território nacional, afetando diretamente a saúde da população e a sustentabilidade ambiental.
Casos já foram registrados em municípios como Poté, Pavão, Governador Valadares e Jampruca. Famílias relataram a aplicação de herbicidas por drones em áreas próximas a plantações orgânicas, assentamentos da reforma agrária e remanescentes de Mata Atlântica. A situação afeta a produção de alimentos e a coleta de sementes, base de sustento para cerca de 150 famílias assentadas.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Cobrança por Políticas Públicas e Fiscalização
Durante o seminário, a Via Campesina lançou uma Carta Denúncia, exigindo providências do Poder Público estadual e federal. O documento aponta que, em junho de 2025, o Brasil registrava 8.586 drones cadastrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para pulverização, com estimativas que apontam para até 25 mil equipamentos em operação. A carta também revela dados alarmantes sobre intoxicações: em 2025, foram 9.729 casos no país, um aumento de 84% em relação a 2015, com uma média diária de 27 pessoas intoxicadas.
A organização enfatiza que a discussão não é contra a tecnologia em si, mas sim pela sua utilização responsável, com controle público e salvaguarda para as pessoas e o meio ambiente. A Via Campesina defende a criação de mecanismos legislativos para restringir o uso de agrotóxicos, o fortalecimento da fiscalização e a promoção da transparência nas operações de pulverização, buscando prevenir conflitos e proteger as populações dos Vales do Mucuri e do Rio Doce.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
O seminário faz parte da programação da Semana do 25 de Julho, que celebra o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural e o Dia Internacional da Agricultura Familiar. A iniciativa reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à agricultura familiar, à produção agroecológica e à proteção das comunidades rurais em Minas Gerais.
Fonte: P{ágina do MST