As urnas na Colômbia abriram neste domingo (23) para o segundo turno das eleições presidenciais, em um pleito que se transformou em um embate simbólico entre o atual presidente Gustavo Petro e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A disputa acirrada entre o esquerdista Iván Cepeda, apoiado por Petro, e o conservador Abelardo de la Espriella, que conta com o endosso de Trump, pode ditar os rumos da política na América Latina, consolidando uma onda de governos de direita.
Apolarização Ideológica e Apoio Internacional
O candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário de 47 anos sem experiência política formal, emergiu como o principal nome do primeiro turno. Sua campanha, focada em promessas de combate rigoroso ao crime organizado, redução de impostos e revitalização da exploração petrolífera, ressoou com um eleitorado preocupado com a segurança. Espriella, que tem cidadania americana e já viveu nos EUA, alinha-se ideologicamente com nomes como Donald Trump e Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
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Do outro lado, Iván Cepeda, de 63 anos, filósofo e senador com histórico na defesa dos direitos humanos, busca dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. Cepeda apostou em destacar os avanços sociais do governo atual e em promover negociações de paz com grupos armados. No entanto, a gestão Petro tem enfrentado críticas pela dificuldade em conter a violência e o crime organizado, um ponto que Espriella soube explorar.
Segurança e Economia no Centro do Debate
A violência tem sido o principal fator de preocupação para os colombianos, superando até mesmo questões econômicas, apesar de desafios como a inflação e o déficit fiscal. Espriella culpa o governo Petro pelos problemas de segurança e econômicos, prometendo uma redução drástica do tamanho do Estado, cortes de impostos corporativos e uma ofensiva militar contra grupos criminosos, incluindo a construção de megaprisionais.
Cepeda, por sua vez, defende a continuidade das políticas de paz e o fortalecimento das instituições. O governo Petro, nos dias que antecederam o segundo turno, divulgou a entrega de armas de guerrilheiros como um sinal de avanço nas negociações de paz, buscando impulsionar a candidatura de Cepeda.
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Impacto Regional e Geopolítico
A eleição colombiana ganha contornos de decisão para o futuro político da América Latina. Uma vitória de Espriella representaria um triunfo significativo para a onda conservadora que já levou ao poder líderes como Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Isso poderia isolar ainda mais os governos de esquerda na região e reconfigurar alianças geopolíticas.
As pesquisas de intenção de voto para o segundo turno indicam uma ligeira vantagem para Abelardo de la Espriella. Um levantamento do instituto Guarumo/Ecoanalítica para o jornal “El Tiempo” aponta Espriella com 52,6% dos votos, contra 45% para Iván Cepeda. Cerca de 40 milhões de eleitores estão aptos a votar.
A tensão em torno do pleito aumentou após Petro contestar o resultado do primeiro turno, alimentando temores de possíveis questionamentos em caso de vitória de Espriella. O resultado final, esperado para este domingo, terá repercussões que vão além das fronteiras colombianas.
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Fonte: El Tiempo