Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiram veementemente à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o parlamentar de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias. Jair Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, acusou o ministro de adotar um “critério diferente” em relação a decisões anteriores.
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Marinho relembrou que, em dezembro de 2025, Moraes autorizou uma entrevista de Jair Bolsonaro ao portal Metrópoles. O senador não vê diferença entre aquele episódio e a divulgação recente de uma carta do ex-presidente nas redes sociais de Flávio.
Comparação com Lula
A comparação com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso em 2018 foi um ponto central nas críticas.
Naquela época, Lula divulgou cartas e anunciou apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência. O petista também concedeu entrevistas e manteve interlocução política com aliados.
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“Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, afirmou Marinho em nota.
O senador argumentou que a restrição imposta a Flávio prejudica sua pré-campanha e impede o contato familiar em um período eleitoral crucial.
Marinho também identificou um “padrão” nas decisões do STF relacionadas a pedidos apresentados pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
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Outras Reações
Carlos Bolsonaro (PL-SC), irmão de Flávio e pré-candidato ao Senado, afirmou que Flávio atua como advogado de Jair Bolsonaro na execução da pena domiciliar.
Segundo Carlos, a decisão de Moraes “rasga a OAB” e atinge as prerrogativas da advocacia.
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, questionou nas redes sociais o número de visitas que Lula recebeu durante sua prisão (572, sendo 21 de Haddad).
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Moro, ex-juiz da Lava Jato, declarou que nunca cogitou restringir o direito de visita ou de correspondência de Lula.
A deputada federal Júnia Zanatta (PL-SC) ironizou a decisão, classificando-a como “coincidência” em meio ao período eleitoral e questionou os fundamentos jurídicos da medida.
A deputada Carol de Toni (PL), também de Santa Catarina, considerou a proibição de visita uma interferência nas relações familiares e direitos individuais.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) declarou apoio a Flávio, reforçando que Jair Bolsonaro o definiu como seu pré-candidato, porta-voz e “homem de confiança”.
Decisão de Moraes
A decisão de Alexandre de Moraes foi proferida após Flávio Bolsonaro divulgar em uma live, no último sábado (11.jul), uma carta atribuída a Jair Bolsonaro.
Na missiva, o ex-presidente declarava apoio à pré-candidatura do filho ao Planalto, o chamava de “porta-voz” e afirmava que ele era “a melhor opção” para o país.
Após a leitura, Flávio declarou ter recebido do pai a missão de manter a unidade dos apoiadores e evitar “falas conflitantes” durante a pré-campanha.
Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio a Jair por 90 dias e deu prazo para que a defesa do ex-presidente explique o ocorrido.
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Segundo o ministro, Flávio utilizou o direito de visita para obter uma carta com o objetivo de divulgá-la nas redes sociais, o que configuraria uso indireto das plataformas digitais pelo ex-presidente, descumprindo medidas cautelares impostas pelo STF.
A proibição pode impedir o contato entre pai e filho até o fim do primeiro turno das eleições de 2026.
O ministro também citou que Flávio é reincidente em descumprir decisões judiciais relacionadas ao pai, relembrando um episódio em agosto de 2025, quando Bolsonaro enviou mensagem a apoiadores por meio de terceiros, fato que levou à sua prisão domiciliar.
Para Moraes, a live de Flávio indica que Bolsonaro tinha conhecimento prévio da divulgação da carta, o que motivou a determinação para que os fatos sejam esclarecidos pela defesa.
Fonte: g1.globo.com