Na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou demarcar um tom pragmático na relação com o chanceler alemão Friedrich Merz (UDC, direita).
“Eu não estou numa relação ideológica, partidária. É uma relação de chefe de Estado”, declarou Lula, enfatizando que o foco principal é o projeto de desenvolvimento de um país, e não a afiliação política de seu líder.
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A declaração surge em um contexto de busca por estreitar laços comerciais e estratégicos entre Brasil e Alemanha, com a expectativa de assinatura de cerca de 10 acordos bilaterais em áreas como defesa, inteligência artificial, bioeconomia e inovações energéticas.
Histórico de tensões e virada de página
A relação entre os dois líderes já passou por momentos de tensão. Em novembro de 2025, após retornar da COP30 em Belém, Merz criticou a infraestrutura da cidade paraense em comparação com a da Alemanha, o que gerou uma resposta de Lula afirmando que a qualidade do Pará superava a de Berlim.
Neste domingo, o presidente brasileiro optou por virar a página, declarando que o Brasil está “de braços abertos” para discutir qualquer tema com a Alemanha, desde que a relação seja pautada por democracia e respeito à soberania nacional.
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“Não tem veto para discutir com a Alemanha”, afirmou Lula, sinalizando a disposição para um diálogo amplo e sem restrições ideológicas.
Crítica a posturas unilaterais e foco em soberania
Em seu discurso, Lula também teceu críticas a posturas unilaterais no cenário global, sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele destacou a impossibilidade de o mundo se curvar a “comportamentos de um presidente que acha que, por e-mail ou por Twitter, pode taxar produtos, punir países e fazer guerras”.
Para o presidente brasileiro, o foco internacional deve ser na defesa da “integridade territorial e da soberania do povo de cada país”.
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Agenda europeia e impacto do Mercosul-UE
A fala em Hannover integra uma agenda europeia de cinco dias de Lula, que viaja acompanhado por 14 ministros. Antes da Alemanha, o presidente cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha em Barcelona.
Na terça-feira (21.abr.2026), a agenda prossegue em Lisboa, Portugal.
Além dos acordos bilaterais, a visita ocorre em um momento crucial para as relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia, com a expectativa de que a parte comercial do tratado Mercosul-UE entre em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026.
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Fonte: Folha