Em um cenário de deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, o governo do presidente argentino Javier Milei autorizou a participação de militares e meios da Marinha brasileira em um exercício naval conjunto no Atlântico Sul. A medida, oficializada por meio de decreto publicado no Diário Oficial argentino, demonstra a continuidade de acordos de cooperação militar, mesmo diante de embates públicos entre os chefes de Estado.
A operação, batizada de Fraterno XXXIX, está prevista para ocorrer por cerca de 12 dias a partir de 13 de agosto. As atividades serão realizadas entre as bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata, além de águas sob jurisdição argentina, e envolverão navios de superfície, aeronaves e submarinos.
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Exercício militar mantém curso apesar de crise diplomática
A autorização argentina surge apenas dois dias após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o rebaixamento do nível das relações diplomáticas com o país vizinho. A decisão brasileira foi uma resposta direta a uma série de ataques verbais feitos por Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Durante um evento em São Paulo, Milei dirigiu ofensas a Lula, chamando-o de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Esses ataques públicos levaram o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas e o embaixador argentino em Brasília para apresentar um protesto formal.
Apesar do agravamento político, o exercício naval foi mantido. O decreto argentino justifica a participação como necessária para a preservação do treinamento conjunto e da interoperabilidade entre as forças navais dos dois países. A Argentina classificou a decisão brasileira de rebaixar as relações como baseada em “questões puramente ideológicas”, defendendo que os laços bilaterais sejam guiados por interesses permanentes e não por divergências políticas ou pessoais.
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Fraterno: tradição de cooperação naval desde 1978
O exercício Fraterno é uma tradição militar que ocorre anualmente desde 1978. Seu objetivo principal é aprimorar a atuação conjunta das Marinhas brasileira e argentina em operações navais, aeronavais e anfíbias. O programa visa a padronização de procedimentos de planejamento e comando, além de ampliar a capacidade de atuação coordenada entre as duas forças.
O governo argentino também argumenta que a participação no exercício reforça o compromisso do país com a segurança internacional e a estabilidade regional. A operação é vista como fundamental para fortalecer a presença da Armada Argentina no Atlântico Sul, área considerada estratégica.
A ausência argentina no exercício, segundo o decreto, prejudicaria o treinamento em operações combinadas de alta complexidade, incluindo atividades de guerra antissubmarino. A edição deste ano, realizada em águas argentinas, teve seu planejamento finalizado em julho, com a assinatura de um memorando entre oficiais das duas marinhas na Base Naval Puerto Belgrano.
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Fonte: Metrópoles