O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tem emergido como uma figura de destaque no cenário político nacional, aproveitando-se da insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e da alta rejeição aos nomes de Lula e Bolsonaro.
Estratégia de “anti-establishment” e marketing pessoal
Com 62 anos, Zema, um empresário com formação em Administração pela FGV e sem um histórico político expressivo antes de assumir o governo de Minas, construiu sua plataforma em torno de um discurso crítico às instituições e à polarização política vigente.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Sua estratégia inclui o uso intensivo e competente das redes sociais para disseminar essa mensagem, o que tem atraído a atenção do público. O estilo pessoal de Zema, com um tom cordial, sotaque mineiro, mangas de camisa e a imagem de um homem comum que dirige seu próprio carro e não habita palácios, ressoa positivamente com uma parcela do eleitorado.
Desempenho em Minas e a “lenda” mineira
Eleito governador em 2018 com 72% dos votos no segundo turno, Zema deixou o governo em 2026 com uma aprovação de 55% e desaprovação de 35%, segundo a Quaest. Este desempenho é similar ao que garantiu sua reeleição em primeiro turno em 2022.
A mídia nacional, por vezes, tem sido menos incisiva na análise das mazelas e qualidades dos governos mineiros, um estado que historicamente elege presidentes. Minas Gerais é considerado uma síntese do Brasil e a terceira maior economia do país, tornando vitórias eleitorais ali cruciais.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Desafios e inconsistências na gestão
Um dos principais desafios de Zema nas pesquisas é o seu desconhecimento por 51% dos entrevistados. Embora 18% declarem voto nele, 31% que o conhecem afirmam que não votariam, índices próximos aos de Ronaldo Caiado.
A gestão de Zema em Minas Gerais apresenta um ponto de atenção: a dívida consolidada do estado saltou de R$ 113,36 bilhões em sua posse para uma estimativa entre R$ 160 bilhões e R$ 180 bilhões ao final de seu mandato.
Essa situação contrasta com seu discurso liberal e a promessa de “zerar o custo Brasil” e privatizar estatais, em linha com a proposta de Javier Milei na Argentina. A gestão fiscal, com renúncia fiscal que aumentou de R$ 13 bilhões em 2021 para R$ 23 bilhões em 2026, levanta questionamentos sobre a crítica à crise fiscal do governo federal.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Raízes históricas e o “jeito mineiro” de fazer política
Minas Gerais possui uma tradição de formar líderes políticos astutos e influentes desde a República Velha. Figuras como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Itamar Franco marcaram a história política nacional.
Zema busca inspiração em JK, mas sua trajetória pode se assemelhar mais à de Itamar Franco, que ascendeu à presidência por circunstâncias políticas específicas, como o impeachment de Fernando Collor.
A ascensão de Zema é vista como uma oportunidade em meio ao desgaste do STF, ao cansaço com a polarização e à rejeição de Lula e Bolsonaro. O futuro político do governador mineiro dependerá de como ele navegará esses desafios e consolidará sua imagem nacionalmente.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Fonte: {{fonte_original_detectada}}