Moraes dá 48h para defesa de Bolsonaro explicar autorização de vídeo com IA em evento do PL

Moraes dá 48h para defesa de Bolsonaro explicar autorização de vídeo com IA em evento do PL

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre a autorização ou não do uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido por inteligência artificial (IA). O material foi exibido durante o lançamento da candidatura […]

Resumo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre a autorização ou não do uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido por inteligência artificial (IA). O material foi exibido durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à reeleição para o Senado, em evento do Partido Liberal (PL) no último sábado (25).

A necessidade de esclarecimento surge em um momento delicado, pois Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária e tem seus direitos políticos suspensos. A utilização de sua figura em um contexto político-eleitoral levanta questionamentos sobre o cumprimento das medidas cautelares impostas pela Justiça.

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Posicionamento de Moraes sobre o vídeo com IA

Na decisão desta terça-feira (28), Moraes enfatizou que a concordância de Bolsonaro com a divulgação do vídeo, especialmente com caráter político-eleitoral, poderia configurar uma nova e grave transgressão às determinações judiciais.

O ministro alertou que, caso haja confirmação de consentimento, a conduta pode levar à reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado, considerando a pena de 27 anos e 3 meses a que o ex-presidente foi condenado.

Por outro lado, se a defesa alegar que o vídeo foi produzido sem o aval de Bolsonaro, a situação também se torna complexa. Nesse cenário, a utilização de sua imagem e voz configuraria o crime de “deep fake”, prática expressamente proibida pela legislação eleitoral.

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A “deep fake” se caracteriza pela criação ou divulgação de conteúdo sintético que associa artificialmente a imagem, voz ou manifestação de uma pessoa a um candidato, partido ou causa política, sem a devida autorização.

Histórico de descumprimento de medidas cautelares

Esta não é a primeira vez que Jair Bolsonaro é investigado por descumprimento de medidas cautelares. A decisão de Moraes relembra um episódio anterior, em 11 de julho, quando o ex-presidente participou da elaboração de uma carta divulgada nas redes sociais pelo seu filho, Flávio Bolsonaro.

Naquela ocasião, Moraes considerou a conduta como um “ostensivo desvio de finalidade” e um desrespeito frontal à ordem judicial. Como consequência, o ministro proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por um período de 90 dias.

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A proibição total do uso de redes sociais, seja de forma direta ou por intermédio de terceiros, é uma das regras fundamentais impostas para a manutenção da prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro. A investigação atual visa apurar se a produção e exibição do vídeo com IA representam uma nova violação a essas restrições.

A defesa de Bolsonaro tem agora um prazo curto para apresentar os esclarecimentos necessários, que serão cruciais para definir os próximos passos da investigação e as potenciais consequências legais para o ex-presidente.

Fonte: g1.globo.com

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