Atingidos por Brumadinho protestam em BH contra ameaça ao Novo Auxílio Emergencial

Atingidos por Brumadinho protestam em BH contra ameaça ao Novo Auxílio Emergencial

Centenas de pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), realizaram um protesto no centro de Belo Horizonte nesta terça-feira (21). A manifestação, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), defende a continuidade do Novo Auxílio Emergencial, pago às famílias impactadas pelo desastre. Ação no […]

Resumo

Centenas de pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), realizaram um protesto no centro de Belo Horizonte nesta terça-feira (21). A manifestação, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), defende a continuidade do Novo Auxílio Emergencial, pago às famílias impactadas pelo desastre.

Ação no STF é o foco da mobilização

O principal alvo do ato é a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1314, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação discute a aplicação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) ao acordo de reparação firmado após o rompimento da barragem, ocorrido em janeiro de 2019.

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Para o MAB, um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF representa um risco iminente ao auxílio. O movimento argumenta que o Novo Auxílio Emergencial é um direito garantido pela Lei nº 14.755/2023 e que sua interrupção antes da reparação integral dos danos pode agravar a vulnerabilidade social de milhares de mineiros.

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Direito conquistado e ameaçado

“O auxílio é um direito conquistado pelo povo e garantido pela Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens. Ele só pode ser encerrado quando as populações atingidas alcançarem a reparação integral, realidade que ainda está longe de ser alcançada”, declarou o MAB em nota oficial.

A mobilização também exigiu que a ADPF 1314 seja julgada pelo plenário do STF, e não por decisão monocrática do ministro relator, Gilmar Mendes. Durante o protesto, uma carta aberta foi entregue ao magistrado, solicitando que o caso seja apreciado por todos os ministros e pedindo a avaliação da suspeição de Gilmar Mendes para atuar no processo. A judicialização do benefício e a aplicação dos direitos da PNAB às famílias atingidas foram pontos centrais da carta.

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Trajeto do protesto em Belo Horizonte

A concentração teve início na Praça da Liberdade, com uma parada simbólica em frente ao Palácio do Liberdade. Os manifestantes seguiram em marcha até a sede do Ministério Público Federal (MPF), onde apresentaram uma pauta de reivindicações e clamaram por uma atuação firme do órgão na defesa das populações atingidas, pedindo que o MPF não ceda à pressão da Vale.

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O protesto continuou em direção à Praça Sete, com um novo ato público para denunciar a possibilidade de suspensão judicial do benefício. A caminhada foi encerrada na Praça da Estação, um ponto tradicional de manifestações na capital mineira.

Sobrevivência em risco

“O que está em jogo é a sobrevivência de milhares de famílias que continuam sofrendo as consequências do rompimento da barragem. O Novo Auxílio Emergencial é um direito da população atingida, e não aceitaremos que ele seja retirado por meio de uma ação judicial”, afirmou Guilherme Camponêz, integrante da coordenação estadual do MAB, em pronunciamento nas redes sociais.

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O deputado federal Rogério Correia (PT) anunciou que entregará a carta aberta ao ministro Gilmar Mendes na próxima semana, reforçando o apoio político à causa dos atingidos.

Entenda o caso no STF

A mobilização foi convocada após a PGR enviar manifestação ao STF defendendo que a Lei Federal nº 14.755/2023, que instituiu a PNAB, não pode alterar o acordo judicial de reparação firmado em 2021 entre a Vale, o Governo de Minas Gerais e as instituições de Justiça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que o acordo tem caráter definitivo e que uma lei posterior não pode modificar direitos e obrigações já estabelecidos por decisão judicial homologada, o que violaria princípios constitucionais como segurança jurídica e coisa julgada.

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A manifestação ocorre no contexto da ADPF 1314, ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que questiona dispositivos da Lei nº 14.755/2023. O STF ainda decidirá se a legislação pode ter efeitos sobre o acordo de reparação de Brumadinho, cujo valor estimado é de R$ 37,68 bilhões. Caso a Corte siga o entendimento da PGR, a aplicação da PNAB ao caso pode ser limitada. Se a lei for interpretada como criadora de direitos autônomos às populações atingidas, esses direitos poderão ser reconhecidos independentemente do acordo de 2021. O julgamento ainda não tem data definida.

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Fonte: G1

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