A rotina de deslocamento de muitos belo-horizontinos através de motocicletas por aplicativo tem se mostrado cada vez mais arriscada. Em 2026, dados registrados na capital mineira apontam um padrão preocupante: em diversas ocorrências de acidentes, os passageiros que ocupam a garupa são quem sofrem as consequências mais severas, configurando-se como as principais vítimas.
Tragédia na Região Norte Expõe os Riscos
Um exemplo recente que chocou a cidade ocorreu com Cláudia Souza Dias, 58 anos, moradora do bairro Tupi. Na manhã de uma quinta-feira, a cuidadora de idosos utilizava uma moto por aplicativo para chegar ao trabalho na Pampulha. O trajeto terminou de forma trágica quando o condutor realizou uma ultrapassagem pelo canteiro central da Avenida Doutor Cristiano Guimarães, no bairro Planalto. Cláudia perdeu o equilíbrio, caiu na pista e foi atropelada por um ônibus. O motociclista, por sua vez, saiu ileso.
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A família de Cláudia já alertava sobre os perigos. Sua irmã, Vilane Souza Dias, expressou a angústia e o sentimento de impotência: “A gente falava para ela não usar. Ela respondia que, se tivesse que acontecer alguma coisa, aconteceria. Mas eu acho que esses motociclistas esquecem que estão levando uma vida ali atrás. Não é uma caixa de entrega. É uma pessoa”, desabafou em meio à dor.
Um Cenário Recorrente em Belo Horizonte
A morte de Cláudia não é um fato isolado. Ao longo de 2026, o R7 Minas acompanhou uma série de acidentes envolvendo motocicletas por aplicativo em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Em muitos desses casos, os passageiros da garupa foram vítimas fatais ou sofreram ferimentos graves. Houve situações em que o passageiro sobreviveu, mas necessitou de atendimento médico, reforçando a vulnerabilidade dessa posição.
Especialista Aponta Fatores de Risco e Comportamento
Para Agmar Bento Teodoro, professor do CEFET-MG e especialista em segurança no trânsito, o aumento da utilização de motos como transporte de passageiros eleva naturalmente a probabilidade de acidentes. “O aumento do número de viagens naturalmente eleva a possibilidade de ocorrência de acidentes. É uma relação esperada na engenharia de tráfego”, explica.
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O especialista também destaca a dinâmica dos aplicativos, que frequentemente sugerem rotas alternativas para otimizar o tempo de viagem. Isso pode levar os motociclistas a trafegarem por vias desconhecidas, aumentando o risco. Além disso, Agmar aponta para um aspecto muitas vezes negligenciado: o comportamento do passageiro.
“O passageiro precisa acompanhar os movimentos do motociclista. Quando a moto faz uma curva para um lado e a pessoa desloca o corpo para o lado oposto, cria-se um contrapeso que pode favorecer derrapagens e aumentar o risco de queda”, adverte. Ele ressalta que é responsabilidade do motociclista orientar o passageiro sobre a postura correta antes do início da corrida.
Equipamentos e Orientações de Segurança Essenciais
O uso correto de equipamentos de segurança é fundamental. O especialista recomenda que o capacete esteja bem afivelado e com a viseira abaixada. Passageiros devem usar calçados fechados e roupas que cubram as pernas para minimizar lesões em caso de queda. A segurança também passa pela comunicação: usuários não devem hesitar em pedir ao motociclista para reduzir a velocidade ou pilotar de forma mais cautelosa se sentirem inseguros.
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Regulamentação e o Papel do Transporte Público Deficiente
O transporte de passageiros por motocicletas por aplicativo foi regulamentado em Belo Horizonte em março de 2026, estabelecendo exigências como idade mínima de 21 anos para condutores, habilitação na categoria A há pelo menos dois anos, certidão negativa de antecedentes criminais e uso de equipamentos de proteção. As plataformas também devem monitorar viagens e oferecer treinamento.
Entretanto, o avanço das motos por aplicativo está intrinsecamente ligado às deficiências do transporte coletivo na capital. Um relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) revelou que mais de 40% dos municípios mineiros não elaboraram o Plano de Mobilidade Urbana e 72% não possuem transporte público coletivo. Essa carência força muitos a buscarem alternativas mais rápidas e econômicas.
“Quando o transporte público é pouco confiável, desconfortável ou demorado, as pessoas acabam optando pela moto por aplicativo, que muitas vezes oferece um trajeto mais rápido e até mais barato”, observa Agmar Bento Teodoro. Ele conclui que a melhoria do sistema de transporte coletivo é uma estratégia crucial para reduzir a exposição da população aos riscos do trânsito.
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Fonte: R7