Desaparecimento Misterioso
O Palácio das Mangabeiras, icônico marco arquitetônico de Belo Horizonte e antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, tornou-se palco de um mistério que intriga deputados estaduais e órgãos de controle. O desaparecimento de peças do seu valioso acervo histórico levanta sérias preocupações sobre a gestão do patrimônio público mineiro.
Ausência de Inventário Detalhado
A complexidade do caso se agrava pela falta de um inventário completo e atualizado dos bens que compõem o acervo do palácio. Deputados estaduais relatam dificuldades em obter uma lista detalhada dos itens, o que impede a quantificação exata das peças que teriam sumido. A Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas), responsável pela administração do espaço, prometeu apresentar uma relação até o dia 16 deste mês.
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Histórico de Doações e Transferências
Em 2020, um ofício registrou a doação de 63 itens do acervo ao Governo do Estado. O Secretário de Cultura de Minas, Leônidas Oliveira, informou em junho que 44 peças estariam com a Polícia Militar e outras 187 com a Codemge. No entanto, a falta de clareza impede saber se essas somam 294 peças distintas ou se há sobreposição de informações.
O Evento Casa Cor e a Descaracterização
As retiradas de itens do palácio remontam a 2019, quando o espaço foi alugado para uma exposição de decoração. Segundo relatos, a entrega do local após o evento teria sido feita com poucos itens, como lustres e uma mesa, que, inclusive, não foram localizados pelos parlamentares em visita recente ao prédio. A própria estrutura do palácio, projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, apresentou sinais de deterioração, com infiltrações e mofo.
O Legado de Juscelino Kubitschek
O Palácio das Mangabeiras abrigou 17 governadores, sendo Juscelino Kubitschek o primeiro e mais célebre. Foi dele a ideia de criar uma sala de cinema no local, espaço que hoje se encontra descaracterizado e com itens desaparecidos, evidenciando a perda de parte da memória estadual.
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Investigações em Andamento
A situação mobilizou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que aceitou uma denúncia para investigar o sumiço. O deputado Leleco Pimentel (PT) também pretende levar o caso ao Ministério Público. Paralelamente, a deputada Bella Gonçalves (PT) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal. O TCE-MG abriu um processo sigiloso para apurar os fatos, buscando entender se houve falhas na gestão e na preservação do patrimônio.
Acusações de Improbidade e Críticas ao Ex-Governador
A oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) avalia que o caso pode configurar improbidade administrativa, especialmente se houver indícios de benefício pessoal ou uso indevido do patrimônio público. O ex-governador Romeu Zema (Novo) minimizou a situação, referindo-se ao acervo como “móveis velhos” e afirmando que a economia gerada em sua gestão cobriria eventuais prejuízos. Sua gestão foi marcada pela promessa de desativar o palácio como residência oficial e pela ideia de criar um “Museu das Mordomias”, projeto que não se concretizou.
Posição Oficial do Governo Estadual
Em nota, o governo de Minas Gerais repudiou “especulações” sobre o sumiço do acervo, assegurando que todos os bens estão cadastrados e localizados em sistemas oficiais. O governo alega que parte do acervo foi destinada a outros equipamentos públicos, como a Biblioteca Pública Estadual e o Museu Mineiro, para fins de preservação e difusão. O biombo de Di Cavalcanti, por exemplo, estaria em exposição no Palácio da Liberdade. Os demais bens estariam acondicionados em instalações públicas com controle rigoroso.
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Acesso e Consultas ao Acervo
O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que o acervo pode ser consultado mediante requerimento. Ele mencionou que o Palácio das Mangabeiras recebeu duas edições do evento Casa Cor como forma de reverter a “situação decrépita” do prédio, buscando sua revitalização.
Fonte: Estado de Minas