O governo de Minas Gerais pode ter deixado de arrecadar R$ 540,1 milhões na venda de 15% das ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A cifra é calculada com base na diferença entre o preço definido para a negociação e o valor de mercado das ações no mesmo dia da operação. A venda faz parte do processo de privatização da estatal mineira, que foi dividida em duas fases.
Divisão do Processo de Privatização
Na primeira etapa, o grupo Equatorial adquiriu 30% das ações, tornando-se o sócio de referência da Copasa. A segunda fase envolveu a negociação de outros 15% das ações de forma fracionada no mercado, através de um processo conhecido como bookbuilding.
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Precificação e Valor de Mercado
Em ambas as fases, o preço por ação foi fixado em R$ 49,03. No entanto, no dia em que o preço foi definido (11 de março), as ações da Copasa fecharam o pregão na Bolsa de Valores (B3) a R$ 58,50, uma diferença de R$ 9,47 por ação. Essa discrepância resultou na potencial perda de R$ 540,1 milhões para os cofres públicos na segunda fase da privatização.
Analistas consultados sob condição de anonimato apontam que, embora seja comum que a venda para um sócio de referência como a Equatorial ocorra com preços abaixo do mercado devido a obrigações contratuais, a venda fracionada para investidores não possui tais amarras. As ações negociadas no bookbuilding foram liquidadas em 16 de março e puderam ser comercializadas posteriormente na bolsa, gerando lucro imediato para os compradores.
Argumentos do Governo e da Copasa
O governo de Minas Gerais justificou que a diferença de preço não considera a magnitude da operação. Segundo o Executivo, a venda de um volume tão expressivo de ações de uma só vez (45% da empresa em ambas as fases) naturalmente afeta a formação de preços. O preço de R$ 58,50, citado pela reportagem, teria sido registrado em negociações diárias com volumes muito menores.
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A Copasa, por sua vez, informou que não comenta precificações ou estratégias financeiras de ofertas públicas. A companhia esclareceu que a operação foi estruturada diretamente pelo acionista vendedor, o Estado de Minas Gerais, e pelos coordenadores da oferta, cabendo a eles a definição do preço final.
Demanda e Investimento Estrangeiro
Apesar das críticas, a Copasa destacou que a demanda pela fase de bookbuilding atingiu R$ 91,6 bilhões, com 200 ordens no livro de ofertas. Desse total, R$ 65,7 bilhões vieram do mercado aberto, R$ 7,9 bilhões da Equatorial e R$ 18 bilhões da demanda varejista. A empresa informou que o livro de ofertas do mercado aberto teve uma cobertura de aproximadamente 40 vezes o volume ofertado, demonstrando a competitividade da operação. Cerca de 40% dessa fatia ficou com investidores internacionais.
Comparativo com a Sabesp
A privatização da Copasa seguiu uma lógica semelhante à da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), ocorrida em 2024. Na ocasião, o governo paulista vendeu 15% das ações para a Equatorial e 17% para outros investidores, com cada papel alienado por R$ 67. Essa estratégia também gerou críticas de analistas que consideraram o valor arrecadado aquém do esperado.
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Opinião de Especialistas
Um advogado especializado em concessões sugeriu que, em processos de privatização, o ideal seria que as duas fases de venda ocorressem separadamente para evitar a influência da primeira sobre a segunda. A estratégia adotada em Minas Gerais, segundo ele, pode ter comprometido o valor final obtido pelo Estado.
Fonte: O Fator