A Hungria, sob o governo de Viktor Orbán, implementou uma das mais ambiciosas políticas pró-natalidade do mundo, prometendo até R$ 170 mil para casais que tivessem ou se comprometessem a ter dois filhos. A iniciativa visava combater o declínio demográfico, com uma taxa de fertilidade abaixo do nível de reposição e alta emigração.
Incentivos como empréstimos livres de juros, subsídios habitacionais e isenções fiscais foram oferecidos a jovens casais heterossexuais casados. Inicialmente, as medidas pareciam surtir efeito, elevando a taxa de natalidade de 1,25 em 2010 para 1,59 em 2020. Contudo, a tendência se reverteu, e em 2025, a taxa caiu para 1,31, pouco acima do nível inicial.
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Desafios Econômicos e o Peso da Inflação
Para casais como Barbara e Levi Elek, a promessa de apoio financeiro se transformou em um dilema. Eles contraíram um empréstimo de R$ 170 mil, condicionado à chegada de um filho. Sem sucesso após tratamentos de fertilidade, enfrentam a possibilidade de ter que devolver o valor com juros punitivos, um montante que afirmam não possuir.
A alta inflação na Hungria corroeu o poder de compra desses incentivos. Especialistas apontam que o valor inicial do empréstimo, embora significativo, perdeu sua força diante do aumento generalizado dos preços, tornando o custo de vida um obstáculo maior do que o próprio benefício.
Lições para o Mundo e a Complexidade da Natalidade
A experiência húngara levanta questionamentos sobre a eficácia de políticas puramente financeiras para reverter o declínio da natalidade. Embora alguns defendam que as medidas evitaram um colapso demográfico ainda maior, outros argumentam que o foco deveria estar em políticas que facilitem o primeiro filho, em vez de incentivar a continuidade familiar.
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A queda na taxa de natalidade não é um fenômeno isolado da Hungria. Países como a Coreia do Sul, que investiu centenas de bilhões de dólares em programas pró-natalidade, também viram suas taxas despencarem. Especialistas apontam fatores globais como a instabilidade pós-pandemia, a guerra na Ucrânia e a crise inflacionária como elementos cruciais.
Cultura, Serviços e o Papel de Gênero
A qualidade dos serviços básicos, como saúde e educação, também emerge como fator determinante. Mães relatam preocupações com o sistema de saúde húngaro, considerando-o um impeditivo maior do que os incentivos financeiros. A falta de flexibilidade no mercado de trabalho e a persistência de papéis de gênero tradicionais, onde a mulher é vista como principal cuidadora, também são apontadas como barreiras.
Em contraste, Israel se destaca como o único país da OCDE com taxa de natalidade acima do nível de reposição, apesar de gastos moderados com benefícios familiares. Um forte componente cultural e ideológico, moldado pela história e pelo desejo de reconstrução populacional, parece ser um fator chave. A França, com políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, também mantém uma das taxas mais altas da União Europeia.
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Revisão de Políticas e o Futuro Incerto
O novo governo húngaro declarou estar revisando a política de incentivos e avaliando o futuro de casais endividados que não tiveram filhos. A situação de Barbara e Levi Elek reflete a de muitos outros, presos a um sistema que prometeu apoio, mas que agora os deixa em uma posição financeira vulnerável, sem a família que esperavam construir.
A análise da situação húngara sugere que, embora o dinheiro possa ter um impacto inicial, a sustentabilidade de políticas pró-natalidade depende de uma abordagem multifacetada, que considere fatores econômicos, sociais, culturais e de infraestrutura, além de promover a igualdade de gênero e o compartilhamento de responsabilidades familiares.
Fonte: BBC News
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