95 anos de FHC: A era de elegância e rumo político que o Brasil parece ter perdido

95 anos de FHC: A era de elegância e rumo político que o Brasil parece ter perdido

No dia 18 de junho, a efeméride dos 95 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eclipsada pelas notícias sobre o escândalo do Banco Master. A coincidência, embora não isenta de ironia, ressalta um contraste marcante entre a percepção de um período de maior rumo e elegância na política brasileira e a atual atmosfera de […]

Resumo

No dia 18 de junho, a efeméride dos 95 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eclipsada pelas notícias sobre o escândalo do Banco Master. A coincidência, embora não isenta de ironia, ressalta um contraste marcante entre a percepção de um período de maior rumo e elegância na política brasileira e a atual atmosfera de polarização e vulgaridade.

A era FHC, apesar de não ter sido imune a controvérsias, é lembrada por uma percepção de direção clara para o país. O período se destacou por uma abordagem que buscava conciliar avanços sociais, responsabilidade fiscal e abertura econômica. Essa tríplice meta se materializou em políticas como a Bolsa Escola, precursora do Bolsa Família, o investimento no ensino fundamental, as privatizações e a busca por superávits fiscais.

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A análise sugere que desvios dessa rota trouxeram instabilidade ao país. O primeiro governo do Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da retórica de oposição, manteve a macroestrutura econômica herdada de FHC. Lula, com uma visão de um Estado forte como motor de desenvolvimento, implementou um modelo que hoje demonstra sinais de exaustão.

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O governo de Dilma Rousseff é apontado como um exemplo de tentativa de remodelação estatal com consequências adversas. A estratégia de financiar empresas como “campeãs nacionais” e a condução “de cima para baixo” do crescimento abriram brechas para a corrupção. A política de “gasto é vida” deteriorou a situação fiscal, culminando em uma recessão profunda e contribuindo para a ascensão de discursos políticos mais extremos.

Posteriormente, os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro buscaram avançar em pautas liberais, com reformas trabalhista e da Previdência, respectivamente. No entanto, ambos os mandatos enfrentaram obstáculos significativos, como crises políticas, acusações de corrupção e resistências corporativistas e empresariais, além de características pessoais dos líderes.

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A crítica recorrente às alianças do PSDB com setores conservadores, feita durante a gestão tucana, ironicamente, se repetiu com seus sucessores, indicando a necessidade pragmática de governabilidade. FHC, em sua época, tentou o paradoxo de modernizar o país dialogando com setores tradicionais.

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O Legado e a Falta de Continuidade

O texto argumenta que o Brasil que ainda prospera, em meio a desafios, carrega o DNA da gestão FHC. Contudo, um sucessor com uma formulação clara para o pós-FHC ainda não emergiu. A saída de FHC do poder, marcada pelo abandono por aliados e por crises conjunturais como a de 1999, que gerou um repique inflacionário após a perda do controle cambial, é vista como um ponto de inflexão.

A falta de continuidade nas políticas de Estado é apontada como um fator que pode ter levado o Brasil a um caminho populista. O artigo lembra que, em sua trajetória parlamentar, Bolsonaro era um crítico ferrenho de FHC, muitas vezes alinhado ao PT em seus ataques.

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A Ascensão da Retórica e o Declínio do Debate

Com 95 anos e enfrentando o Alzheimer, a memória de FHC sobre sua presidência pode estar debilitada, mas o reconhecimento de sua gestão ganha força. O cenário político atual, marcado pela ascensão de figuras com pouca ou nenhuma experiência acadêmica em formulação de políticas públicas, contrasta com a trajetória de FHC, que conciliou pensamento acadêmico com a prática de governar.

O debate político contemporâneo é caracterizado por um “grito” que substituiu o argumento, por decisões eleitoreiras que prejudicam o planejamento de longo prazo e pela intransigência na defesa de valores em detrimento do diálogo. Nesse contexto, a figura de Fernando Henrique Cardoso é vista como uma referência de estatura intelectual e política que falta para contrapor essa tendência.

Fonte: G1

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