A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou formalmente à União o desejo de incorporar cinco imóveis mineiros que foram cedidos pelo governo do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Entre as propriedades listadas, destacam-se o Hospital Risoleta Tolentino Neves, um importante equipamento de saúde na região Norte de Belo Horizonte, e um imóvel com potencial para se tornar moradia estudantil destinada a alunos indígenas e quilombolas.
Hospital e Espaços Culturais sob análise
O ofício, assinado pelo reitor Alessandro Fernandes Moreira, foi encaminhado na última semana à ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) já analisa o pedido, que reforça um interesse anterior da UFMG manifestado à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).
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Os imóveis foram divididos em três blocos conforme a proposta de uso. O primeiro bloco inclui bens já em operação pela UFMG. O Hospital Risoleta Tolentino Neves, gerido pela universidade desde 2006 via convênio com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Fundep, é o principal deles. A transferência definitiva do hospital, que possui 451 leitos e atende cerca de 1,5 milhão de pessoas na região metropolitana de BH, está condicionada à sua integração à Rede HU Brasil, rede de hospitais universitários federais.
O Espaço do Conhecimento UFMG, localizado no Circuito Liberdade, no Centro-Sul de Belo Horizonte, também está neste bloco. O local, que recebeu investimentos recentes em infraestrutura, é um importante polo cultural e científico. O Sobrado Quatro Cantos, em Tiradentes, utilizado para atividades de ensino, pesquisa e extensão, com cerca de 40 mil visitantes no último ano, completa este grupo de bens já sob uso da universidade.
Moradia e Reserva Estratégica para Expansão
O segundo bloco apresenta o Plug Minas, na região Leste de Belo Horizonte, um espaço que a UFMG pretende transformar em moradia universitária para estudantes indígenas e quilombolas. A iniciativa visa reduzir os custos com hospedagem e aluguel de moradias, que em 2025 já ultrapassaram R$ 1 milhão para cursos de alternância e R$ 442 mil para alojamentos de indígenas.
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Já o terceiro bloco é composto pelo galpão da antiga fábrica San Marino, próximo ao Campus Pampulha e à Fazenda Modelo de Pedro Leopoldo. Sem um projeto específico definido, a reitoria considera o local uma reserva estratégica para futuras expansões acadêmicas, científicas, tecnológicas, culturais ou administrativas, essencial para o planejamento de longo prazo da instituição.
Contexto da Negociação de Imóveis em Minas
A cessão desses imóveis faz parte de um acordo maior entre Minas Gerais e a União. Em maio, após aprovação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o governo estadual enviou uma lista com 190 propriedades para serem utilizadas na amortização da dívida pública. Quando assinou o contrato do Propag em dezembro do ano passado, o Executivo mineiro estimava abater R$ 1,94 bilhão da dívida com a entrega de imóveis. O débito confessado do estado era de R$ 179,3 bilhões. A lista inicial de 197 imóveis foi ajustada para 190 durante o processo legislativo. Agora, Minas aguarda a resposta da União sobre quais edificações serão de seu interesse.
Fonte: Estado de Minas
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