Um levantamento divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) revela um cenário preocupante sobre os investimentos municipais em gestão ambiental. Em média, as prefeituras mineiras destinaram apenas 1% de suas despesas totais para a área ambiental nos últimos 12 anos, ficando em 12º lugar no ranking de prioridades de investimento.
Baixo Investimento e Foco na Reação
O estudo abrange o período de 2014 a 2026 e evidencia que a maior parte dos recursos destinados à gestão ambiental é aplicada após a ocorrência de desastres, em vez de ser direcionada para ações preventivas. Essa abordagem reativa preocupa especialistas, especialmente em um contexto de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.
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Em Belo Horizonte, por exemplo, os recursos empenhados até junho deste ano para a gestão ambiental somaram R$ 96 milhões, representando 0,9% das despesas totais. Em Contagem, na Região Metropolitana, o percentual foi de 0,7%, e em Ribeirão das Neves, o índice caiu para 0,1%. No interior do estado, cidades como Uberaba (0,02%), Ipatinga (0,07%) e Governador Valadares (0,007%) apresentaram índices ainda mais baixos.
Alerta do TCE-MG: 90% dos Gastos Após Desastres
Ryan Brunner Lima Pereira, coordenador do TCE-MG, destacou que entre 80% e 90% dos gastos com gestão ambiental ocorrem após a ocorrência de desastres. “O ideal seria que esse recurso fosse gasto de fato na prevenção, para que se mitigassem o máximo possível os danos que seriam causados por esses eventos”, afirmou.
Impactos das Mudanças Climáticas e a Necessidade de Prevenção
A falta de investimentos em prevenção ganha ainda mais urgência com as previsões de um El Niño intenso, que pode alterar padrões de chuva e temperatura em Minas Gerais. Especialistas alertam para o aumento de secas, incêndios, má qualidade do ar e a proliferação de doenças como dengue, zika e chikungunya.
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O professor Wellington Lopes Assis, da UFMG, ressalta a importância da preparação da Defesa Civil e do sistema de saúde, além da implementação de políticas de contenção de impactos. “É necessário que o cidadão não seja pego de surpresa, que o poder público faça a sua parte se prevenindo”, disse.
Planejamento e Governança Ambiental em Debate
A professora Rejane Magiag, também da UFMG, defende que um uso mais eficiente das verbas ambientais depende de planejamento estratégico e mapeamento de fragilidades, como áreas de risco a deslizamentos e inundações. Ela enfatiza que os efeitos da emergência climática já são uma realidade e exigem novas abordagens de governança.
“Hoje a gente já vive num clima muito diferente de 30, 50 anos atrás. As nossas cidades não foram pensadas para esse regime de chuva que a gente está enfrentando ou para períodos de seca que a gente vai enfrentar”, comentou.
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Respostas das Prefeituras
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que a execução orçamentária da gestão ambiental cresceu nos últimos anos, com um aumento de 14,5% em 2025 em relação ao ano anterior. A Prefeitura de Contagem destacou investimentos em projetos como pegada de carbono, coleta seletiva e recuperação de áreas verdes, além da criação de uma autarquia municipal de parques e praças.
Já a Prefeitura de Ribeirão das Neves afirmou estar fortalecendo sua política ambiental com investimentos em estrutura técnica, fiscalização, educação ambiental e projetos de preservação. As prefeituras de Ipatinga, Governador Valadares e Uberaba foram procuradas, mas não retornaram até o fechamento desta reportagem.
Fonte: G1
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