PF cita deputado estadual de MG e filho de ex-prefeito em esquema de fraude no INSS; ambos negam irregularidades

PF cita deputado estadual de MG e filho de ex-prefeito em esquema de fraude no INSS; ambos negam irregularidades

Um inquérito da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de fraudes e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aponta citações ao deputado estadual mineiro Enes Candido (PSD) e a Alexandre Ferreira Merlo, filho do ex-prefeito de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Embora ambos não tenham sido indiciados formalmente […]

Resumo

Um inquérito da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de fraudes e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aponta citações ao deputado estadual mineiro Enes Candido (PSD) e a Alexandre Ferreira Merlo, filho do ex-prefeito de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Embora ambos não tenham sido indiciados formalmente pela corporação, seus nomes surgem em detalhes de ações de um núcleo investigado ligado ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).

O relatório final da investigação, obtido pela reportagem, detalha que a HM Moto Peças, empresa sediada em Governador Valadares e apontada como um dos canais para lavagem de dinheiro do esquema, é um dos pontos que levaram os nomes de Candido e Merlo a serem mencionados. Segundo a PF, a empresa teria pago faturas de cartão de crédito do deputado estadual, que anteriormente foi vereador na cidade. Em julho de 2023, o responsável pela HM Moto Peças teria enviado fotos de faturas ao operador financeiro André Luiz Martins Dias, como prestação de contas. Uma dessas faturas, no valor de R$ 19 mil, trazia o endereço da antiga residência de Enes Candido.

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André Luiz Martins Dias é classificado pela PF como o principal integrante do grupo de supostos ex-assessores parlamentares de Euclydes Pettersen, atuando como operador financeiro. Ele seria responsável por ordenar transferências bancárias e pagamentos de boletos em estabelecimentos para dificultar o rastreamento do dinheiro. A HM Moto Peças, por exemplo, teria recebido ao menos R$ 6,3 milhões entre 2021 e 2024.

Movimentação milionária de Alexandre Merlo

Alexandre Ferreira Merlo, filho do ex-prefeito de Governador Valadares, André Merlo, também chamou a atenção pela movimentação de vultosos valores com a HM Moto Peças. A quebra de sigilo bancário revelou que ele movimentou R$ 6.977.158,84 com a empresa, apesar de ter se declarado como “estudante” em seu passaporte. O relatório indica ainda que Alexandre enviou R$ 1.316.131,30 para Neusmeire Silva Magalhães, apontada como uma das principais “laranjas” do esquema, e R$ 158.270 para a empresa de fachada Expresso Serv.

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Procurado, o deputado estadual Enes Candido negou veementemente qualquer irregularidade. Em nota, ele afirmou que há graves distorções nos depoimentos e que nunca foi notificado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Segundo o parlamentar, o próprio relatório da PF destaca a insuficiência de dados comprobatórios que justifiquem qualquer imputação de responsabilidade.

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A defesa de Alexandre Ferreira Merlo também se manifestou, destacando que ele não foi indiciado e negando qualquer envolvimento com o esquema. A defesa assegura que todas as relações comerciais com a empresa citada são lícitas e documentadas, afastando qualquer associação a atividades criminosas. A empresa, segundo a defesa, tem atividade comercial legítima em Governador Valadares, e transações financeiras com ela não implicam ilegalidade.

Assessores compartilhados e emendas sob suspeita

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O inquérito da PF também aponta a circulação de operadores e assessores entre os gabinetes de Enes Candido e Euclydes Pettersen. André Luiz Martins Dias, operador financeiro central, teria integrado a equipe do deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Patrícia Barbalho Milholo, lotada no gabinete de Candido, é apontada como possível esposa de Walton Cardoso Lima Júnior, outro operador e ex-assessor de Pettersen.

O relatório da PF aborda ainda emendas parlamentares destinadas ao Instituto Terra e Trabalho (ITT), presidido por Vinícius Ramos da Cruz. Segundo a investigação, o ITT teria sido utilizado para direcionar recursos ao caixa central do esquema, misturando verbas públicas com dinheiro de fraudes previdenciárias. O instituto recebeu mais de R$ 29 milhões em recursos federais entre 2017 e 2025, provenientes de emendas e convênios. A PF sugere que emendas de Euclydes Pettersen e Enes Candido podem ter sido direcionadas ao ITT.

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Enes Candido reiterou que nunca indicou recursos por meio de emenda parlamentar ao ITT e não manteve relação institucional com a entidade. Ele afirmou que todas as suas indicações de emendas foram feitas dentro da legalidade e está à disposição para esclarecimentos. A PF recomenda a abertura de um novo inquérito para aprofundar a atuação suspeita do ITT e a relação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) com órgãos federais.

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O deputado federal Euclydes Pettersen, indiciado com outras 47 pessoas, também negou participação nos fatos e afirmou que nunca indicou ninguém para cargo no INSS. Ele ressaltou que o indiciamento é um ato unilateral da polícia e que sua defesa se manifestará nos autos do processo judicial.

Fonte: O Fator

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