Abelardo de la Espriella: Quem é o "outsider" de direita inspirado em Bukele e Milei que venceu na Colômbia

Abelardo de la Espriella: Quem é o “outsider” de direita inspirado em Bukele e Milei que venceu na Colômbia

Em um cenário político colombiano marcado por fortes divisões, Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário de direita autointitulado “outsider”, emergiu como o provável vencedor das eleições presidenciais. Com uma retórica inspirada em líderes como Nayib Bukele de El Salvador e Javier Milei da Argentina, De la Espriella conquistou uma parcela significativa do eleitorado […]

Resumo

Em um cenário político colombiano marcado por fortes divisões, Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário de direita autointitulado “outsider”, emergiu como o provável vencedor das eleições presidenciais. Com uma retórica inspirada em líderes como Nayib Bukele de El Salvador e Javier Milei da Argentina, De la Espriella conquistou uma parcela significativa do eleitorado desiludido com a política tradicional e preocupado com a segurança pública.

Um “Outsider” com Ambições Presidenciais

Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, Abelardo de la Espriella, nascido em Bogotá em 1978, construiu sua carreira longe dos corredores da política convencional. Sua trajetória é marcada por uma atuação como advogado de figuras controversas, incluindo Álex Saab, apontado como operador financeiro do governo venezuelano de Nicolás Maduro, e David Murcia Guzmán, fundador da empresa DMG. Essa atuação lhe rendeu tanto notoriedade quanto críticas, com adversários o classificando como representante da extrema direita e aliados defendendo sua “extrema coerência”.

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De la Espriella se apresenta como um empresário bem-sucedido e independente, que não pretende governar “com os de sempre”, referindo-se à elite política que dominou o país por décadas. Seu movimento, “Defensores da Pátria”, busca capitalizar o descontentamento popular com a classe política, atribuindo a ela a responsabilidade por muitos dos problemas nacionais.

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A Promessa de “Mão de Ferro” e Segurança Pública

A plataforma de campanha de De la Espriella centra-se na promessa de combater o crime, o narcotráfico e a corrupção com “mão de ferro”. Em um país que ainda lida com a persistência de grupos armados e o tráfico de drogas, essa mensagem ressoa fortemente entre eleitores preocupados com a segurança. Ele propõe desmantelar a política de “paz total” do atual governo, criticar a Jurisdição Especial para a Paz (JEP) e adotar medidas enérgicas, como a construção de mega prisões e o bombardeio de acampamentos de grupos armados, buscando apoio internacional dos Estados Unidos, Europa e Israel.

Sua postura é comparada à de Nayib Bukele, que implementou medidas de segurança controversas em El Salvador, resultando em uma drástica redução da criminalidade, mas também em denúncias de violações de direitos humanos. De la Espriella também se inspira em Javier Milei, que prometeu “motoserrar” os gastos públicos na Argentina, e em Donald Trump, com sua retórica anti-establishment.

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Trajetória Empresarial e Influência Midiática

Antes de entrar na política, De la Espriella construiu um portfólio empresarial diversificado, com negócios em áreas como imobiliário, comércio de alimentos, bebidas, vestuário e pecuária. Sua ascensão foi impulsionada por uma presença midiática forte, especialmente nas redes sociais, onde soube explorar o sentimento de “outsider” e a rejeição ao politicamente correto. Ele utiliza um discurso confrontador, que, por vezes, gerou controvérsias e críticas de machismo e homofobia, mas que, segundo sua equipe, busca gerar debate e se conectar com um eleitorado que se sente marginalizado pelas elites.

A campanha de De la Espriella foi marcada por um forte esquema de segurança, refletindo as ameaças que ele afirma receber. Sua imagem pública é cuidadosamente construída para transmitir força e determinação, com o uso de coletes à prova de balas e forte aparato policial em eventos públicos.

“Extrema Coerência” e o Apoio da Elite

Enquanto De la Espriella se posiciona como um rompimento com a política tradicional, sua campanha tem recebido apoio de figuras e grupos associados a essa mesma elite que ele critica. Entre os apoiadores estão ex-integrantes de governos anteriores e o poderoso clã político e econômico da família Char. Analistas apontam que, apesar de seu discurso anti-establishment, governar a Colômbia exige alianças e o apoio de políticos experientes no funcionamento do Estado.

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A campanha de De la Espriella rejeita o rótulo de “ultradireitista”, preferindo o termo “extrema coerência”. Seus apoiadores argumentam que o foco está em princípios e valores fundamentais, como a moral judaico-cristã, que, segundo eles, moldam a sociedade colombiana. Essa visão se alinha com a maioria religiosa do país, majoritariamente católica e cristã.

A ascensão de Abelardo de la Espriella representa um momento de inflexão na política colombiana, refletindo tendências globais de ascensão de líderes populistas e anti-establishment que prometem soluções radicais para problemas complexos. Os próximos anos na Colômbia serão cruciais para observar a implementação de suas promessas e os impactos de seu governo no cenário nacional e internacional.

Fonte: BBC News Mundo

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