Minas Gerais desponta como gigante na produção de abacate, com foco especial na variedade Hass, impulsionando o agronegócio estadual para o cenário de exportação. A fruta, antes um item comum em quintais e vitaminas, ganha status de commodity valiosa, com projeções de crescimento expressivo para os próximos anos.
O abacate, popularmente conhecido como avocado quando se trata da variedade Hass, é o novo protagonista do agronegócio mineiro. Em 2024, Minas Gerais consolidou sua posição como o segundo maior produtor nacional, com 135.624 toneladas colhidas em 8.053 hectares, ficando atrás apenas de São Paulo. O Paraná completa o trio de maiores produtores brasileiros.
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A expectativa para 2026 é de um avanço ainda mais significativo. A Associação Abacates do Brasil projeta um aumento de cerca de 60 mil toneladas na safra nacional, com 40 a 45 mil toneladas destinadas à exportação, um salto considerável em relação às 25 mil toneladas exportadas no ano anterior.
Regiões Mineiras Lideram a Produção e Diversificam Cultivo
A produção de abacate em Minas Gerais está concentrada em cinco regiões estratégicas, com destaque para o Alto Paranaíba, que em 2024 respondeu por 42,35% do total estadual, totalizando 57.440 toneladas. O Sul de Minas aparece em seguida, com 47.798 toneladas (35,24%), demonstrando a força da fruticultura em importantes polos mineiros.
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O Triângulo Mineiro, Zona da Mata e Região Central também contribuem significativamente para a produção, totalizando mais de 19 mil toneladas. Essa diversidade regional fortalece a capacidade de oferta do estado.
O município de Rio Paranaíba, em Minas Gerais, liderou as exportações de abacate do estado em 2025, seguido por São Gotardo e Ibiá. Esses municípios se beneficiam de suas condições climáticas e logísticas favoráveis.
Avocado Hass: O Queridinho do Mercado Internacional
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Das diversas variedades cultivadas em Minas, como Breda, Fortuna e Geada, apenas o tipo Hass, conhecido como avocado, é direcionado para exportação. As variedades tropicais são inteiramente consumidas pelo mercado interno.
A preferência pelo Hass no mercado externo se deve às suas características únicas: tamanho menor, casca mais grossa e maturação mais lenta. Essas qualidades garantem maior resistência durante o transporte em contêineres, um fator crucial para chegar intacto aos consumidores globais.
Deny Sanábio, coordenador técnico de fruticultura da Emater-MG, explica que a demanda internacional é específica pelo Hass. “Quem está pensando em exportação já vai direto para o Hass, que é o único que tem demanda”, afirma. Ele ressalta que o mercado internacional busca frutas menores, alinhadas com o perfil de famílias menores e pessoas que vivem sozinhas.
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A maturação controlada é outra vantagem. Por ser uma fruta climatérica, o abacate continua seu processo de amadurecimento após a colheita, o que prolonga sua vida útil nas gôndolas e facilita o transporte e comercialização.
O sabor mais intenso e o maior teor de gordura do avocado o tornam ideal para receitas salgadas, preferência de muitos países da América Latina.
Altitude e Logística: Vantagens Competitivas de Minas Gerais
O cultivo de abacate em Minas Gerais se beneficia de plantios em altitudes superiores a 1.500 metros, especialmente na Serra da Mantiqueira. Essa característica não só estende o período de safra, que vai de fevereiro a outubro, mas também diferencia o produto mineiro no mercado.
Alberto Penariol, presidente da Associação Abacates do Brasil, destaca que Minas Gerais oferece um ambiente propício para o cultivo, com áreas em altitude, solos de qualidade e boa logística. A proximidade com grandes centros consumidores e o acesso facilitado por rodovias como a Fernão Dias impulsionam o crescimento da produção e exportação.
A região da Serra da Canastra também apresenta potencial, com clima e altitude ideais, embora a logística ainda precise de aprimoramentos.
Expansão e Apoio Governamental Impulsionam Exportações
Em 2025, Minas Gerais registrou US$ 12,8 milhões em exportações de abacate, embarcando 7 mil toneladas, o melhor resultado recente. O crescimento de 135% em valor e 160% em volume em comparação com o ano anterior demonstra o dinamismo do setor.
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Os Países Baixos e a Argentina foram os principais destinos do abacate mineiro, que alcançou oito mercados compradores. O estado conta com iniciativas como o “Certifica Minas Frutas” e o programa “Agroexporta”, que visam garantir a qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade da produção, além de fomentar a cultura exportadora.
Para Penariol, o sucesso no mercado de avocado, especialmente o Hass, exige planejamento estratégico. Produtores, principalmente os de pequeno e médio porte, devem estar atentos à escolha do local de plantio, janela de colheita e estratégia comercial. A organização e busca por informações qualificadas são essenciais para transformar o sonho do agronegócio em realidade.
Fonte: Estado de Minas