A Coreia do Sul fortalece sua posição na cadeia global de suprimentos de minerais críticos com um memorando de parceria estratégica (MOU) entre a Posco International, braço de comércio e investimentos do conglomerado sul-coreano Posco Group, e a mineradora australiana Meteoric Resources. O acordo, anunciado nesta quarta-feira (29), destina parte da produção do projeto de terras raras Caldeira, localizado em Caldas e Poços de Caldas, no Sul de Minas, para a empresa asiática.
A Posco International poderá adquirir até 30% do volume extraído da mina por um período de até sete anos. Embora o MOU seja não vinculante e dependa de negociações comerciais, due diligence e aprovações internas, ele sinaliza o interesse estratégico da Coreia do Sul em garantir o acesso a terras raras, elementos essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como ímãs permanentes para veículos elétricos e turbinas eólicas.
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Importância Estratégica para Minas Gerais e o Brasil
O acordo surge em um momento de crescente aproximação entre Brasil e Coreia do Sul na agenda de minerais críticos. Recentemente, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae Myung anunciaram um pacto de cooperação para desenvolver a cadeia de suprimentos do setor, com foco na transição energética. O Brasil, detentor de vastas reservas, busca atrair investimentos que agreguem valor à sua produção mineral.
A exploração em Minas Gerais, especificamente no Projeto Caldeira, é considerada promissora devido à concentração dos elementos em argilas iônicas, um tipo de material que facilita a extração e reduz o impacto ambiental. A expectativa é que a produção comercial em escala inicie em 2028, com uma capacidade estimada de processamento de 6 milhões de toneladas de minério por ano.
Investimento e Desenvolvimento Tecnológico
Além da potencial aquisição de terras raras, a parceria prevê que a Posco avalie a possibilidade de adquirir participação acionária na Meteoric Resources e apoie a estruturação do financiamento do projeto no Brasil. Isso pode incluir o acesso a recursos de agências de crédito à exportação sul-coreanas, como o Export-Import Bank of Korea (Kexim) e a Korea Trade Insurance Corporation (K-Sure).
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O CEO da Meteoric, Stuart Gale, destacou a importância do acordo para a relação entre Brasil e Coreia do Sul, duas economias relevantes no cenário global. A empresa já firmou outros contratos não vinculantes de offtake, totalizando cerca de 40% da produção projetada, com empresas do Canadá e da Estônia.
Desafios e Oportunidades na Cadeia Produtiva
O projeto em Minas Gerais ainda precisa concluir o licenciamento ambiental e o estudo de viabilidade econômica definitivo (DFS) para iniciar a construção da planta industrial, com um investimento estimado em US$ 440 milhões (aproximadamente R$ 2,25 bilhões). A capacidade de processamento prevista é de 14 mil toneladas de carbonato misto anualmente.
A parceria com a Posco International também abre portas para a cooperação no desenvolvimento de tecnologias e na indústria de terras raras no Brasil. Isso pode envolver a troca de conhecimento e a avaliação de novas oportunidades para agregar valor aos minerais produzidos no estado. A Coreia do Sul busca, com essa iniciativa, diversificar suas fontes de suprimento e reduzir a dependência da China, que atualmente domina o mercado global de terras raras.
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O governo brasileiro tem enfatizado a necessidade de desenvolver uma indústria capaz de processar e refinar esses elementos, gerando bens de maior valor agregado. O projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, já aprovado pela Câmara, aguarda análise do Senado, sinalizando o interesse em fortalecer esse setor estratégico para o país.
Fonte: G1