O advogado Marcelo Gasparino, ex-vice-presidente do conselho de administração da Vale, negou ter vazado informações confidenciais da mineradora em sua carta de renúncia. Gasparino apresentou sua saída nesta segunda-feira (27) e alega ter sido vítima de um processo de destituição, proposto pelo próprio conselho aos acionistas, após ser acusado de vazar dados sigilosos.
Em sua manifestação, o conselheiro criticou o que chamou de enfraquecimento da governança corporativa da Vale, que tem enfrentado turbulências desde que a Previ, maior acionista individual da companhia, decidiu antecipar a sucessão no conselho. Gasparino afirmou que sua renúncia não envolveu qualquer acordo ou vantagem financeira, em contraste com o pacote de benefícios concedido ao ex-presidente do conselho, Daniel Stieler, após sua própria saída.
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A Vale optou por não comentar a carta de renúncia. A Previ, por sua vez, não respondeu aos contatos da reportagem sobre o assunto.
Acusações e Defesa de Gasparino
Gasparino admitiu ter compartilhado com um analista de mercado sua manifestação de voto na reunião que discutiu a destituição de Stieler. No entanto, ele ressaltou que o documento já havia sido formalmente entregue à companhia e continha apenas sua avaliação pessoal, argumentando que tal compartilhamento não configura vazamento de informação confidencial.
O conselheiro questionou a decisão de levá-lo a destituição antes que pudesse apresentar sua defesa. Ele insinuou a possibilidade de buscar as vias judiciais para se defender, solicitando acesso à investigação interna para atuar “nas instâncias competentes”.
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Críticas à Gestão e à Previ
Na carta, Gasparino expressou preocupação com decisões do conselho que, segundo ele, fragilizam a governança. Ele citou a tomada de decisões fora dos fóruns deliberativos e a realização de “eventos secretos” como exemplos de um distanciamento de princípios de governança, transparência e independência.
Gasparino classificou a ofensiva da Previ para trocar o comando do conselho de administração da Vale como uma “aventura societária” e criticou a candidatura de Manuel Lino Oliveira (Ollie) para suceder Stieler. Ele demonstrou perplexidade com a atuação de um conselheiro independente em um processo de destituição do presidente do colegiado.
Ele afirmou que o ambiente corporativo na Vale passou a “tratar transparência como sinônimo de ameaça”.
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Crise na Governança da Vale
A crise na gestão da Vale se intensificou com o pedido da Previ para a destituição antecipada de Daniel Stieler, executivo indicado pela própria fundação. A Previ alegou buscar maior independência no conselho e apoiou Ollie para a presidência.
No entanto, a fundação acabou perdendo uma de suas cadeiras no conselho. Seu candidato para substituir Stieler como conselheiro, José Maurício Coelho, foi derrotado na assembleia por Ieda Gomes, apoiada pelos demais conselheiros. Tradicionalmente, a Previ detinha duas cadeiras, mas agora conta com apenas uma, ocupada por seu presidente, Marcio Chiumento.
As turbulências na governança da Vale são alvo de investigações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um dos processos apura o benefício financeiro concedido a Stieler, e o outro analisa a decisão de levar a destituição de Gasparino para votação entre os acionistas.
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Fonte: Valor Econômico