A produção de alimentos que chegam diariamente às mesas das famílias do Vale do Aço é um reflexo do trabalho árduo e da dedicação de agricultores locais. Em cidades como Santana do Paraíso, Iapu e Naque, produtores rurais transformam a terra em fonte de sustento, impulsionando a economia regional e garantindo o acesso a produtos frescos e saudáveis.
Um Retorno à Terra e à Agroecologia
Em Santana do Paraíso, o casal Hebert Taylon Ferreira e Maristela Augusta Pimentel optou por trocar a vida no exterior para se dedicar à agricultura agroecológica. Há seis anos, eles implementaram um sistema de produção que prioriza alimentos livres de agrotóxicos, cultivados em harmonia com a natureza.
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“Estávamos fora do país e sentimos o desejo de viver no campo, produzindo nosso próprio alimento de forma orgânica. A ideia era comercializar o excedente”, conta Hebert. O sítio do casal hoje oferece uma variedade de frutas e hortaliças, como couve, tomate, cenoura, beterraba, milho verde, brócolis e repolho, distribuídos em cestas quinzenais para clientes que buscam uma alimentação mais saudável.
Apesar da satisfação em cultivar alimentos com respeito à natureza, Hebert aponta a escassez de mão de obra como um dos maiores desafios. A rotina é intensa, começando antes do amanhecer com os cuidados com os animais, a manutenção da horta e a colheita para atender às entregas, um trabalho que se estende todos os dias da semana.
Desafios da Comercialização e da Infraestrutura
Mariana Martins, que iniciou sua jornada na produção agroecológica em Iapu há 15 anos, também vivencia as dificuldades do setor. Atuando com vendas para programas governamentais como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), ela destaca a batalha por preços justos.
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“Temos dificuldade em vender nossos produtos pelo valor que realmente merecem, o que muitas vezes leva à intermediação de atravessadores. O dia a dia é de muito trabalho e incerteza, e a falta de maior valorização dos nossos produtos é uma realidade”, lamenta Mariana.
Naque, a realidade de Maria Damares Silva Oliveira, que vem de uma família de agricultores, é marcada pela carência de infraestrutura. A família produz frutas, legumes, verduras e ovos caipiras, mas a falta de máquinas e veículos dificulta tanto o trabalho quanto a comercialização.
“A escassez de água é um problema constante, e a falta de equipamentos modernos para auxiliar na lavoura e no transporte dos produtos limita nosso potencial. Vendemos em Naque e Periquito, mas muitas vezes o alimento fica para o consumo da comunidade do Quilombo”, explica Maria.
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A Satisfação de Cultivar e Alimentar
Apesar dos obstáculos, a paixão pela terra e o orgulho de oferecer alimentos saudáveis são os motores que movem esses agricultores. Maria Damares ressalta os benefícios diretos para a saúde: “Trabalhamos sem parar, mas é gratificante saber que produzimos alimentos saudáveis. Com isso, adoecemos menos e gastamos menos com remédios. Sinto-me bem ao estar em contato com a terra e o ar puro, e ver que as pessoas valorizam o que é bom e natural”.
O trabalho desses agricultores é fundamental para a economia do Vale do Aço, garantindo o abastecimento de feiras, mercados e programas sociais, além de promover um estilo de vida mais saudável e sustentável para toda a região.
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