Alberto Fernández chama Milei de 'energúmeno' e critica visita ao Brasil: 'Insultar presidente de país irmão não tem perdão'

Alberto Fernández chama Milei de ‘energúmeno’ e critica visita ao Brasil: ‘Insultar presidente de país irmão não tem perdão’

O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, utilizou suas redes sociais para classificar o atual mandatário do país, Javier Milei, como um “energúmeno”. A declaração surge em meio a um embate público e a uma crise diplomática desencadeada pela recente visita de Milei ao Brasil. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Fernández respondeu […]

Resumo

O ex-presidente da Argentina, Alberto Fernández, utilizou suas redes sociais para classificar o atual mandatário do país, Javier Milei, como um “energúmeno”. A declaração surge em meio a um embate público e a uma crise diplomática desencadeada pela recente visita de Milei ao Brasil.

Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Fernández respondeu a críticas que comparavam sua visita ao então preso Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, em 2018, com a tentativa de Milei de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar no Brasil.

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Milei teve seu pedido de visita a Bolsonaro negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A proibição, válida por 90 dias, impede que o ex-presidente brasileiro receba visitas de caráter “político-eleitoral”.

Críticas de Fernández a Milei

“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente”, afirmou Fernández em sua postagem.

O ex-presidente argentino prosseguiu comparando os cenários: “Hoje Lula é Presidente do Brasil e Bolsonaro está preso por promover um golpe de Estado. Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão.”

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O contexto da prisão de Bolsonaro

A proibição de visitas a Jair Bolsonaro foi determinada por Alexandre de Moraes após a divulgação de uma carta intitulada “Carta aos brasileiros”, escrita pelo próprio ex-presidente. O ministro do STF considerou que a publicação violou as condições impostas à sua prisão domiciliar.

Segundo a decisão de Moraes, a restrição de visitas decorre da perda dos direitos políticos de Bolsonaro, consequência de sua condenação no processo que investiga a trama golpista.

Alberto Fernández, filiado a uma corrente kirchnerista de esquerda, historicamente mantém laços de aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT) e com o presidente Lula.

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Crise diplomática gerada pela visita de Milei

A visita de Javier Milei ao Brasil no último sábado (25) intensificou uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.

Milei participou de uma convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, onde oficializou-se a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

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Durante seu discurso, o presidente argentino proferiu críticas ao socialismo, exaltou a chamada “onda azul” na América do Sul e dirigiu ofensas a Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca” após ter seu pedido de visita a Bolsonaro negado.

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Milei também associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma suposta transformação política em curso na América Latina e referiu-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “presidiário”.

Reação do governo brasileiro

Em resposta às declarações de Milei, o governo brasileiro decidiu chamar para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, que deve retornar ao país nesta segunda-feira.

O Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro e exigir explicações sobre a conduta de Milei em território nacional.

A prática de convocar o embaixador de outro país é uma demonstração de insatisfação e busca por esclarecimentos. Da mesma forma, chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas é considerada uma medida diplomática dura, sinalizando a gravidade da situação.

Nota oficial do Itamaraty

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”.

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“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, declarou o Itamaraty.

O chanceler Mauro Vieira, em entrevista à TV Globo, descreveu as falas de Milei como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, além de considerá-las uma “interferência em assuntos domésticos”.

Vieira ressaltou que não tem conhecimento de precedentes recentes de um chefe de Estado estrangeiro se manifestando dessa forma em solo brasileiro.

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O ministro das Relações Exteriores descartou, no momento, a adoção de medidas diplomáticas mais drásticas, como a retirada da representação brasileira da Argentina, afirmando que o governo brasileiro busca preservar os canais de diálogo e obter esclarecimentos por vias diplomáticas.

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