Eliezer Baptista: O Homem por Trás do Império do Minério e do Aço Brasileiro

Eliezer Baptista: O Homem por Trás do Império do Minério e do Aço Brasileiro

Em um depoimento concedido em 11 de janeiro de 2006, Eliezer Baptista, figura proeminente no setor mineral e siderúrgico brasileiro, compartilhou memórias cruciais sobre a formação e expansão de empresas que moldaram a economia do país. Sua trajetória se entrelaça com nomes como Walther Moreira Salles, Augusto Trajano de Azevedo Antunes, e decisões políticas que […]

Resumo

Em um depoimento concedido em 11 de janeiro de 2006, Eliezer Baptista, figura proeminente no setor mineral e siderúrgico brasileiro, compartilhou memórias cruciais sobre a formação e expansão de empresas que moldaram a economia do país. Sua trajetória se entrelaça com nomes como Walther Moreira Salles, Augusto Trajano de Azevedo Antunes, e decisões políticas que definiram o destino de recursos naturais estratégicos.

Baptista relembrou sua amizade com o banqueiro Walther Moreira Salles, consolidada durante o período em que ambos serviram no gabinete de João Goulart (Jango). A concessão do nióbio de Araxá, um marco na exploração de minerais estratégicos, foi um dos temas abordados, com a participação de Dias Leite nesse processo.

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A saída de Baptista da presidência da Vale em 1964, após a intervenção governamental, o levou a trabalhar com o empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. Este período foi fundamental para sua carreira, pois Antunes o protegeu de cassação e prisão, alçando-o à presidência da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR).

A ICOMI, precursora da MBR, teve suas origens na descoberta de manganês feita por um indígena no Amapá, um achado que serviu de gatilho para futuras explorações. A associação de Antunes com a Bethlehem Steel foi uma estratégia para suprir a falta de capital, mercado e know-how, em um modelo semelhante ao início da Vale.

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Antunes é descrito por Baptista como um homem de grande competência, inteligência e patriotismo, cujas decisões empresariais sempre priorizavam os interesses nacionais. Sua visão positivista e seu profundo conhecimento técnico o diferenciavam.

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A distinção entre a Bethlehem Steel, avessa à política, e a Hanna Mining, com suas influências, é destacada. A aliança de Antunes com a Bethlehem foi primariamente econômica, visando garantir o controle brasileiro sobre os empreendimentos. As parcerias com a Hanna, embora estabelecidas, sempre foram marcadas pela exigência de controle por parte de Antunes.

A disputa com a Hanna Mining, que desejava direcionar toda a produção para os EUA, espelha o embate anterior com a US Steel em relação à Vale. Enquanto a US Steel buscava um porto menor no Pará para exportação de minério de ferro para a Costa Leste americana, a Vale almejava mercados como o Japão.

A Hanna Mining, antes de passar a Saint John Del Rey Mining Company para Walther Moreira Salles, exerceu influência política através de Horácio Carvalho e Raymundo, especialmente junto a Lucas Lopes, figura chave na política econômica de Juscelino Kubitschek (JK).

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O projeto da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) foi um dos frutos da colaboração entre Baptista e Antunes, com o apoio de Dias Leite. A iniciativa surgiu em um momento de críticas à Vale por focar apenas na exportação de minério de ferro, buscando demonstrar a viabilidade da produção de aço em larga escala no Brasil.

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Apesar da desistência inicial da Bethlehem em participar do projeto siderúrgico, o interesse demonstrado pela empresa em importar aço para os EUA serviu como um argumento convincente para a viabilidade da exportação de aço brasileiro. Tentativas de parcerias com Agustin Rocca, na Argentina, e a Gerdau com a Thyssen foram mencionadas, culminando na formação da CST com investidores italianos e japoneses.

A Hanna Mining, com seu poderio financeiro, representava uma ameaça à Vale. Baptista relembra as projeções ambiciosas para a Vale, que contrastavam com as visões mais conservadoras de Lessa.

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O veto de Gabriel Passos ao projeto de Humphrey em 1961, pautado por uma política nacionalista, é citado como um exemplo de divergências econômicas em detrimento de análises de mercado.

A fundação da MBR em 1965 e a exigência de controle por parte de Antunes nas negociações com a Hanna Mining são pontos centrais. A incursão na produção de aços especiais, aconselhada por um general ex-presidente da CSN, marcou a visão inovadora de Antunes.

A holding CAEMI, que englobava a MBR e o setor de manganês, consolidou a força do grupo. Com o esgotamento do manganês, a MBR tornou-se o carro-chefe, mantendo sempre a posição majoritária em associações com estrangeiros.

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A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) é destacada por sua pioneira estratégia de mercado e sua sólida gestão financeira.

A atuação de Roberto Campos no cenário econômico é revisitada, com Baptista ponderando sobre sua integridade e sua comunicação direta.

O projeto florestal que deu origem à Aracruz Florestal, com o apoio inicial de Walther Moreira Salles, é lembrado como uma iniciativa de vanguarda, apesar da descrença inicial de muitos.

A construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas e o papel de San Tiago Dantas no financiamento do Porto de Tubarão, através de habilidade política e manipulação cambial, são ressaltados. O acordo com os japoneses para o Porto de Tubarão foi um divisor de águas, impactando a Hanna Mining no cenário internacional.

As divergências com Lucas Lopes e Lessa, aliados de JK, durante a gestão da Vale no governo Jânio Quadros, são narradas. A transformação do Porto de Tubarão no maior do mundo revolucionou a navegação global.

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A criação da Aços Anhanguera pela CAEMI, como subsidiária do grupo Antunes, e sua posterior aquisição pela empresa que comprou a Aços Villares, fecham o ciclo de transformações empresariais narradas por Eliezer Baptista.

Fonte: Depoimento de Eliezer Baptista em 11 de janeiro de 2006, recolhido para a Biografia do banqueiro Walther Moreira Salles

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