Relatório da Empiricus sobre BR Partners vira alvo de bolsonaristas em meio a tensão pré-eleitoral

Relatório da Empiricus sobre BR Partners vira alvo de bolsonaristas em meio a tensão pré-eleitoral

A Faria Lima, coração financeiro do Brasil, tem sentido os reflexos da polarização política que domina o país. Nos últimos dias, uma tensão pré-eleitoral escalou das redes sociais para o mercado financeiro, tendo como estopim um relatório da casa de análises Empiricus, pertencente ao BTG Pactual. O documento, datado de 18 de junho, recomendou a […]

Resumo

A Faria Lima, coração financeiro do Brasil, tem sentido os reflexos da polarização política que domina o país. Nos últimos dias, uma tensão pré-eleitoral escalou das redes sociais para o mercado financeiro, tendo como estopim um relatório da casa de análises Empiricus, pertencente ao BTG Pactual.

O documento, datado de 18 de junho, recomendou a venda das ações do banco de investimentos BR Partners. Embora a Empiricus alegue ter se baseado em razões técnicas, o relatório ganhou forte impulso nas redes sociais bolsonaristas.

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A associação se deu com declarações do CEO do BR Partners, Ricardo Lacerda, que em entrevista ao jornalista Guilherme Amado, do programa Amado Mundo, expressou preocupações com os riscos institucionais de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) em comparação com um governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O presidente Lula, todo mundo já conhece: foi presidente três vezes, e ninguém acha que ele pode fazer algo que vá atentar contra a democracia”, disse Lacerda. “Já do lado do Flávio Bolsonaro, é um pouco mais incerto, porque vai ter o pai dele na prisão querendo sair e brigando com o Supremo e não sei se ele vai mandar. O que pode ser um pouquinho melhor do lado da economia (a eleição de Flávio), pode ser muito pior do lado institucional.”

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BR Partners lamenta influência política

Em nota, o BR Partners afirmou que as casas de análise têm liberdade para emitir suas opiniões, mas lamentou que o relatório da Empiricus tenha sido influenciado por questões políticas.

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A instituição ressaltou que a análise de cenários políticos e econômicos é uma prática comum no mercado de bancos de investimento e que o BR Partners não possui posicionamento político-partidário.

Ricardo Lacerda, procurado, não se pronunciou sobre o caso.

Dias antes da entrevista em vídeo, Lacerda já havia criticado a situação fiscal do país em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, defendendo que o próximo governo, independentemente de quem fosse eleito, deveria enfrentar o problema.

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Empiricus nega motivação política

A Empiricus, por sua vez, negou que a recomendação de venda das ações do BR Partners tenha sido motivada pelas declarações de Ricardo Lacerda.

Em comunicado, a casa de análise afirmou que o relatório é uma análise técnica de Small Caps, baseada em metodologia própria que avalia o comportamento histórico do ativo por meio de indicadores gráficos e desempenho dos últimos cinco anos.

A Empiricus destacou que a recomendação é resultado dessa análise ampla e não está relacionada a um único fator.

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O relatório, intitulado “Uma rara troca na carteira de Small Caps”, justifica a substituição do BR Partners pela Vitru Educação por preocupações com a estagnação do lucro do banco de investimentos e uma distribuição de dividendos que poderia limitar sua expansão.

A escolha da Vitru Educação foi fundamentada por sua liderança no ensino a distância e resiliência a novas normas regulatórias.

Ações em queda e volatilidade no mercado

Apesar das justificativas técnicas apresentadas, o relatório e as declarações de Lacerda viraram tema de forte repercussão nas redes sociais de extrema direita. Influenciadores como Paulo Figueiredo e Bruno Musa criticaram Lacerda, gerando milhares de interações.

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Ricardo Lacerda também relatou ter recebido agressões e ameaças em suas redes sociais.

Desde a publicação do relatório, as ações do BR Partners registraram uma queda de 3,94%, passando de R$ 14,99 para R$ 14,40. No entanto, não é possível afirmar que essa desvalorização se deve exclusivamente aos ataques bolsonaristas.

O setor financeiro como um todo tem vivenciado alta volatilidade após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, que promoveu um corte sutil na taxa básica de juros, impactando o crescimento da economia.

A repercussão nas redes sociais, contudo, mostrou-se mais intensa do que o impacto direto no preço das ações, evidenciando a força da polarização política no ambiente de negócios e investimentos.

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