Biógrafo da Globo: Lula era "nome proibido" na emissora nos primórdios

Biógrafo da Globo: Lula era “nome proibido” na emissora nos primórdios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve seu nome inicialmente vetado pela TV Globo, sendo tratado como um “nome que não podia ser pronunciado”. A afirmação é do escritor e jornalista Ernesto Rodrigues, autor da trilogia “A Globo”, que detalha a trajetória da emissora. O terceiro volume, “A Globo: Metamorfose”, lançado em 30 […]

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve seu nome inicialmente vetado pela TV Globo, sendo tratado como um “nome que não podia ser pronunciado”. A afirmação é do escritor e jornalista Ernesto Rodrigues, autor da trilogia “A Globo”, que detalha a trajetória da emissora. O terceiro volume, “A Globo: Metamorfose”, lançado em 30 de abril, aborda as nuances dessa relação.

Segundo Rodrigues, quando Lula liderava o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o petista era “censurado” devido à sua influência como líder sindical. A associação de Lula às greves que impactavam a economia paulista tornou sua figura um tema sensível para a emissora.

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“O Lula começou como um nome que não podia ser pronunciado. Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, o Lula não tinha voz. Os editores não podiam dar a sonora do Lula. Se tinha alguma coisa que tinha que falar sobre o Lula, tinha que ser na voz do locutor ou do narrador. Então era um nome proibido”, declarou Rodrigues.

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A cobertura da Globo sobre Lula passou por transformações significativas, especialmente após o fim da ditadura militar. Rodrigues aponta a campanha das Diretas Já como um marco nesse processo.

A emissora, que inicialmente cobriu o movimento de forma “tímida e omissa”, intensificou sua cobertura ao longo da campanha, chegando a interromper o Jornal Nacional para dar destaque ao tema, com Lula em evidência nesse contexto.

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No início da carreira política de Lula, quando ele integrava a oposição, a Globo mantinha uma postura “afastada da disputa política”. A relação começou a mudar de forma mais acentuada em 2002, período marcado por uma “profissão de fé” da emissora.

Nessa época, a Globo enfrentava dificuldades financeiras e “precisou, de certa maneira, do apoio do governo do PT”, conforme relatou o jornalista. O ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, atuou como o “grande interlocutor” entre o governo e a emissora, facilitando um entendimento que visava a sobrevivência e a recuperação financeira da TV Globo.

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O cenário mudou drasticamente após o escândalo do Mensalão. Rodrigues descreve que a Globo deixou de ser “omissa na ditadura” e “discreta” durante o governo Fernando Henrique Cardoso, passando a adotar uma postura “estridentemente de oposição” ao governo petista.

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Relação atual: pragmatismo e ideologia

Atualmente, a relação entre Lula e a TV Globo é descrita por Rodrigues como “pragmática” e “ideológica”. O jornalista considera que o comportamento da emissora faz parte do “jogo democrático”.

Ele cita, por exemplo, a cobertura sobre o ajuste fiscal, onde os argumentos a favor da medida, defendidos pela emissora, muitas vezes ganham mais destaque do que as críticas apresentadas por figuras como o ministro Fernando Haddad ou seus sucessores.

“Você vê o Haddad, depois o sucessor dele [Dario Durigan], tem muitos argumentos contra isso [ajuste fiscal]. Nem sempre esses argumentos são mostrados pela TV Globo com a mesma riqueza com que são mostrados os argumentos de quem defende como fundamental o ajuste fiscal, mas aí é jogo jogado. É uma democracia. É uma emissora e ela tem o direito de fazer isso. Então é ideológica e é pragmática”, pontuou.

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A Trilogia “A Globo”

O livro “A Globo: Metamorfose” completa a trilogia de Ernesto Rodrigues sobre a emissora, cobrindo o período de 1999 a 2025. Os volumes anteriores, “A Globo: Hegemonia” (1965-1984) e “A Globo: Concorrência” (1985-1998), já haviam mapeado as transformações da rede.

Rodrigues possui uma vasta experiência no jornalismo, tendo atuado em veículos como O Globo, Jornal do Brasil, IstoÉ e Veja. Sua carreira na TV Globo, como editor e executivo de telejornais, durou 15 anos, iniciada em 1986. Entre suas obras, destacam-se “Ayrton, o herói revelado” e “No próximo bloco… O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”.

Fonte: Grupo Autêntica

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