A noite estrelada de sexta-feira (1º de maio) foi o cenário perfeito para o lançamento do Santa Seresta, um novo festival cultural que promete reviver a alma boêmia do bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. A lua cheia, em sua opulência, pareceu abençoar a iniciativa, que busca resgatar e consolidar uma tradição musical que marcou época na capital mineira.
Um Resgate da Alma Boêmia
A atmosfera de nostalgia e celebração tomou conta da Praça Santa Tereza, ponto nevrálgico do evento. Artistas renomados e o público se uniram em um coro de entusiasmo, celebrando a música e a história. A cantora Selminha do Samba, 60 anos, expressou a beleza do momento: “Está uma noite linda, com uma lua iluminada, bonita, que convida para essa música apaixonada, para esse encontro na rua ao som de uma seresta”.
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Ao seu lado, a veterana Lucinha Bosco, 80 anos, conhecida por sua participação no “The Voice+”, compartilhou o mesmo sentimento. O público, que se aglomerou na praça sem estimativa oficial, demonstrou a mesma animação. Edirlene Saturnino, 63 anos, que garantiu seu lugar com antecedência, elogiou a iniciativa: “A ideia é reviver os velhos tempos. E parece que até a lua se vestiu à altura”.
Inovação no Formato: Janelas como Palcos
O Santa Seresta se distingue de outras serestas pela sua concepção artística. Em vez dos palcos tradicionais ou das serenatas sob as janelas, o festival utiliza as janelas do segundo piso de um charmoso sobrado em estilo art déco, na esquina das ruas Mármore e Adamina, como palco principal. O público, acomodado na praça e nas calçadas, desfruta de um espetáculo visual e sonoro único.
Essa proposta inovadora tem forte inspiração nas Vesperatas de Diamantina, onde músicos se apresentam em janelas e sacadas coloniais. A produtora Polyana Horta explica a ambição do projeto: “A expectativa é tornar o Santa Seresta um evento do calendário do bairro”. Ela destaca a importância histórica do casarão, que nos anos 1950 abrigou o Clube Recreativo de Santa Tereza e recebeu personalidades como Juscelino Kubitschek.
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Um Tributo aos Artistas e à História
O festival também se propõe a ser um palco para artistas com mais de 60 anos, reconhecendo suas contribuições para a cultura local. Jorge Matos, 65 anos, líder do grupo que abriu o evento, celebrou o convite e o formato: “Nos alegrou muito porque nós gostamos muito desse bairro boêmio. Além disso, esse formato de seresta que eles propuseram eu achei muito interessante para nós”.
O repertório apresentou clássicos da seresta brasileira, como “Serra da Boa Esperança” e “Nervos de Aço”, além de sambas e choros de mestres como Cartola e Pixinguinha, enaltecendo a riqueza da música acústica nacional. O público respondeu com calorosos aplausos, confirmando o sucesso da noite.
Programação Continua e Gera Expectativas
A programação do Santa Seresta se estende por todo o fim de semana. Na sexta-feira, além de Selminha do Samba e Jorge Matos, o festival contou com apresentações de Ivone Lopes e o Grupo Roda Viva. No sábado (2 de maio), o público poderá conferir Luiz Antônio e Banda, Gracinha Horta e, encerrando a noite, o jornalista e radialista Acir Antão.
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A expectativa dos idealizadores é que o Santa Seresta se consolide como um marco cultural no bairro, atraindo não apenas moradores, mas também turistas interessados em vivenciar a boemia e a rica história de Belo Horizonte. A participação ativa do público e o entusiasmo dos artistas indicam um futuro promissor para esta nova tradição.
Fonte: Belo Horizonte Agora