The Lancet aponta Belo Horizonte como referência internacional na pandemia e critica negacionismo que custou 300 mil vidas no Brasil

The Lancet aponta Belo Horizonte como referência internacional na pandemia e critica negacionismo que custou 300 mil vidas no Brasil

Um estudo global de grande impacto, divulgado pela renomada revista científica The Lancet, elegeu Belo Horizonte como um paradigma internacional na gestão da pandemia de Covid-19. A publicação ressalta que a adoção de medidas sanitárias similares às implementadas pela capital mineira em outras cidades de porte semelhante poderia ter evitado mais de 300 mil mortes […]

Resumo

Um estudo global de grande impacto, divulgado pela renomada revista científica The Lancet, elegeu Belo Horizonte como um paradigma internacional na gestão da pandemia de Covid-19. A publicação ressalta que a adoção de medidas sanitárias similares às implementadas pela capital mineira em outras cidades de porte semelhante poderia ter evitado mais de 300 mil mortes em todo o Brasil.

Liderança Local Mitigou Impactos

A pesquisa aponta que a liderança local em Belo Horizonte foi crucial para atenuar os efeitos da pandemia em alguns municípios. A cidade, sob a gestão do então prefeito Alexandre Kalil, registrou a menor mortalidade em hospitais públicos entre 13 capitais analisadas. O sucesso é atribuído à atuação de um comitê científico.

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Este comitê, formado pelo secretário de Saúde Jackson Machado Pinto e pelos infectologistas Estevão Urbano, Carlos Starling e Unaí Tupinambás, orientou a vigilância em tempo real das taxas de transmissão e da ocupação hospitalar e de UTIs. Essa estratégia permitiu ajustes ágeis na capacidade de atendimento e nas restrições impostas à população.

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Potencial de Evitar Tragédia Nacional

As estimativas apresentadas pela The Lancet são contundentes: a adequação dos sistemas de saúde de outras capitais aos padrões de Belo Horizonte poderia ter salvado mais de 300 mil vidas. No entanto, o estudo também alerta para as persistentes disparidades dentro da própria capital, com maior mortalidade em áreas vulneráveis, evidenciando o papel das desigualdades sociais.

Medidas como distanciamento social, fechamento de escolas e comércios, uso obrigatório de máscaras, proteção aos trabalhadores e sistemas de dados em tempo real foram destacadas como eficazes pela publicação.

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Negacionismo e a Queda na Expectativa de Vida

A análise nacional do estudo, um dos maiores do mundo sobre carga de doenças e fatores de risco, contou com a colaboração da pesquisadora Deborah Malta, da Escola de Enfermagem da UFMG. Ela focou no impacto de diversas doenças na expectativa de vida dos brasileiros entre 1990 e 2023.

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O artigo revela que a expectativa de vida no Brasil caiu 3,4 anos durante a pandemia de Covid-19, acompanhada por um aumento de 27,6% na mortalidade. Esse cenário é diretamente associado ao negacionismo do governo federal da época, liderado por Jair Bolsonaro.

As autoridades, segundo o estudo, enfraqueceram as orientações científicas, rejeitaram o distanciamento social e disseminaram desinformação. A promoção de medicamentos sem comprovação científica e o atraso na aquisição de vacinas, sob a justificativa de evitar o colapso econômico, agravaram a crise sanitária.

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Avanços a Longo Prazo e SUS

Apesar dos reveses recentes, o estudo reconhece que, em uma perspectiva de 33 anos, o Brasil apresentou melhorias significativas. A expectativa de vida subiu 7,18 anos, e a mortalidade padronizada por idade caiu 34,5%. O índice de anos saudáveis perdidos por morte ou doença também registrou uma redução de 29,5%.

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Esses avanços são atribuídos ao progresso no saneamento básico, ao crescimento econômico, à implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), à criação do Programa Saúde da Família e à expansão da vacinação.

Fonte: The Lancet

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