Passageiro de cruzeiro relata falta de seriedade a bordo após mortes por hantavírus

Passageiro de cruzeiro relata falta de seriedade a bordo após mortes por hantavírus

Um passageiro a bordo do cruzeiro MV Hondius, que se tornou palco de um surto de hantavírus, relatou surpresa e preocupação com a aparente falta de seriedade com que a tripulação e outros passageiros lidaram com a situação. Ruhi Cenet, um blogueiro de viagens turco, embarcou no navio em Ushuaia no dia 1º de abril […]

Resumo

Um passageiro a bordo do cruzeiro MV Hondius, que se tornou palco de um surto de hantavírus, relatou surpresa e preocupação com a aparente falta de seriedade com que a tripulação e outros passageiros lidaram com a situação. Ruhi Cenet, um blogueiro de viagens turco, embarcou no navio em Ushuaia no dia 1º de abril com o objetivo de cobrir o remoto arquipélago de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul.

O início idílico e a reviravolta sombria

A viagem começou de forma idílica, com 59 tripulantes atendendo a 88 passageiros, a maioria observadores de aves com mais de 60 anos. No entanto, a atmosfera mudou drasticamente na manhã de 12 de abril, quando o capitão anunciou pelo sistema de som a morte de um passageiro. O anúncio, capturado em vídeo por Cenet, informava que um holandês de 70 anos havia falecido no dia anterior, atribuindo a causa a fatores naturais.

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“O médico me diz que não estamos infectados”, afirmou o chefe da tripulação, segundo as imagens. Contudo, essa tranquilidade inicial se mostrou equivocada, pois o próprio médico britânico do navio viria a ficar gravemente doente semanas depois. Cenet expressou sua perplexidade: “Nem sequer consideraram a possibilidade de que fosse uma doença tão contagiosa. Não levaram o problema suficientemente a sério”.

A normalidade aparente em meio ao surto

Até o momento, três passageiros do navio faleceram, incluindo a esposa da primeira vítima e uma cidadã alemã. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou ou suspeita de casos de hantavírus em pelo menos outros cinco passageiros, uma doença respiratória rara, mas potencialmente fatal.

Cenet descreveu como a “vida cotidiana” continuou a bordo após o anúncio da morte. Em seus vídeos, é possível ver passageiros idosos reunidos em torno do buffet, sem o uso de máscaras. “Continuamos comendo todos juntos”, relatou Cenet, que, juntamente com seu cinegrafista, optou pelo isolamento voluntário por precaução, mesmo sem saber da existência de um vírus específico.

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Remorso pela escala em Tristão da Cunha

Um dos momentos de maior apreensão para Cenet foi a escala do navio em Tristão da Cunha, um dos territórios mais remotos do planeta. Ele teme o “pior cenário possível” devido à interação dos passageiros com os habitantes locais. “Gostaria que não tivéssemos desembarcado lá depois da primeira morte, porque junto conosco havia mais cem passageiros, e eles estiveram interagindo com os moradores da ilha”, lamentou.

A preocupação se estende à infraestrutura médica limitada da ilha, que pode não estar preparada para lidar com um surto de tal magnitude. Cenet desembarcou em Santa Helena em 24 de abril, no mesmo voo que a viúva da primeira vítima, que viria a falecer no dia seguinte.

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Respostas e medidas futuras

O navio MV Hondius, após passar por um período de quarentena próximo a Cabo Verde, seguiu para as Ilhas Canárias, na Espanha. Um contato de Cenet a bordo informou que os passageiros foram posteriormente isolados em suas cabines e instruídos a usar máscaras. Cenet, ao retornar à Turquia, foi informado que não necessitaria de quarentena imediata, desde que não apresentasse sintomas.

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Refletindo sobre a experiência, Cenet sugeriu que embarcações desse tipo deveriam estar equipadas com laboratórios ou equipamentos adequados para lidar com emergências sanitárias. Os passageiros pagaram aproximadamente US$ 10.000 (cerca de R$ 49.000) cada um pelo cruzeiro, que prometia uma experiência exclusiva em destinos remotos.

Fonte: AFP

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