A abordagem que Donald Trump pretende adotar em relação a Cuba, semelhante àquela utilizada na Venezuela, visa moldar a ilha socialista para que se alinhe e se torne submissa aos interesses dos Estados Unidos. A estratégia não prevê uma transformação profunda do sistema político cubano, mas sim a substituição de figuras-chave, como o atual presidente Miguel Díaz-Canel, por alternativas mais maleáveis.
Fontes em Washington indicam que o governo Trump busca criar um cenário onde uma liderança cubana dependa do apoio americano para se manter no poder, em um paralelo com a situação da líder venezuelana Delcy Rodríguez. Uma das exigências centrais dos EUA é a compensação a cidadãos e empresas americanas por propriedades confiscadas após a Revolução Cubana de 1959.
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O objetivo macro é converter Cuba em um “client state”, um Estado formalmente soberano, mas na prática altamente dependente dos Estados Unidos. Essa manobra, à primeira vista, representaria uma vitória estratégica para Washington, ampliando sua influência no Caribe e neutralizando a presença de rivais como China e Rússia na região.
Essa ambição se alinha à Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que prioriza a consolidação de zonas de influência em um cenário de crescente competição geopolítica. No entanto, a dependência excessiva de uma potência externa frequentemente gera um déficit de legitimidade interna para os governos.
Governos que parecem subservientes a interesses estrangeiros correm o risco de serem vistos pela população como ilegítimos, criando um ambiente político volátil. A estabilidade, nesse contexto, passa a depender mais do suporte externo do que do apoio popular.
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A história cubana demonstra que arranjos dessa natureza tendem a abrir espaço para o surgimento de líderes com forte discurso nacionalista e antiamericano. Esses políticos capitalizam o sentimento de soberania nacional e a promessa de romper com a dependência externa, narrativa que ressoa em sociedades onde a influência estrangeira é percebida como intrusiva.
O próprio Fidel Castro ascendeu ao poder em 1959 impulsionado por um profundo ressentimento contra a forte influência americana na ilha nas décadas anteriores. A proximidade entre elites cubanas e interesses dos EUA, somada à percepção de desigualdade e perda de autonomia, pavimentou o caminho para a revolução.
As raízes desse ressentimento remontam à própria formação do Estado cubano. Após a libertação do domínio espanhol em 1898, a Emenda Platt, imposta pelos EUA à constituição cubana de 1901, concedeu ao governo americano o direito de intervir nos assuntos internos da ilha e de estabelecer bases militares, como a de Guantánamo. Cuba nasceu formalmente independente, mas estruturalmente subordinada, um arranjo que semeou um profundo sentimento de não conformidade.
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Portanto, uma estratégia que busca aumentar o controle pode, paradoxalmente, gerar o oposto a longo prazo. Ao tentar moldar o sistema político cubano de fora para dentro, Washington arrisca reativar dinâmicas históricas de resistência.
Mesmo que uma liderança alinhada aos EUA consiga se consolidar no curto prazo e melhorar a economia – um cenário incerto –, sua sobrevivência política dependerá constantemente de apoio externo, perpetuando um ciclo de fragilidade interna. Crises econômicas ou sociais poderiam ser rapidamente reinterpretadas como resultado da submissão a interesses estrangeiros, alimentando novas ondas de contestação popular.
Se essa for a rota escolhida por Trump, os Estados Unidos podem estar repetindo um padrão histórico: períodos de forte influência americana seguidos por reações nacionalistas intensas, potencialmente culminando na ascensão de uma figura antagônica aos moldes de Fidel Castro.
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