Diálogos entre Tenente-Coronel e Desembargador Revelam Críticas a Não Binários e ao STF

Diálogos entre Tenente-Coronel e Desembargador Revelam Críticas a Não Binários e ao STF

Mensagens de texto trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito pela morte da policial militar Gisele Alves Santana, e o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan foram adicionadas ao inquérito policial. As conversas, obtidas por investigadores, revelam um panorama de opiniões políticas, comentários sobre segurança pública e críticas a pautas sociais, incluindo […]

Resumo

Mensagens de texto trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito pela morte da policial militar Gisele Alves Santana, e o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan foram adicionadas ao inquérito policial. As conversas, obtidas por investigadores, revelam um panorama de opiniões políticas, comentários sobre segurança pública e críticas a pautas sociais, incluindo a identidade de gênero não binária e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um dos diálogos, o tenente-coronel expressou descontentamento com a presença de pessoas não binárias em eventos pré-Carnaval, utilizando termos que foram interpretados como pejorativos. O desembargador teria recebido essas mensagens em um contexto de troca de visões sobre temas sociais.

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Críticas ao STF e Ministros em Conversas Privadas

As mensagens também apontam para o compartilhamento de links com conteúdo crítico a ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Em uma das interações, Geraldo Leite Rosa Neto teria respondido com “Nossos Ministros”, indicando concordância com as críticas compartilhadas.

Esses diálogos ganharam notoriedade após a presença do desembargador Cogan no apartamento onde ocorreu a morte da policial, em São José dos Campos. O caso gerou um procedimento de apuração no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar se houve interferência ou tentativa de influência por parte do magistrado na condução da ocorrência policial.

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Presença de Desembargador na Cena do Crime Gera Investigação

Investigadores apontaram que a presença de uma autoridade judicial no local poderia ter criado um “entorno de autoridade”, potencialmente constrangedor para policiais de menor patente. No entanto, agentes que atenderam à ocorrência relataram que o desembargador compareceu ao local como amigo do investigado e não interferiu diretamente nas ações policiais.

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Um dos policiais que atuou na cena descreveu a situação como inusitada: “Eu não tenho como virar para um coronel e dizer que ele não vai tomar banho. Ele está com um desembargador aqui no local, entendeu? O cara ligou para um desembargador. Não é estranho?”. A percepção era de que a ligação para um magistrado em um momento tão delicado era, por si só, um fator de estranheza.

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A Corregedoria da Polícia Militar, até o momento, não identificou desvio de conduta por parte do magistrado. Contudo, o CNJ instaurou o procedimento após representação da deputada federal Sâmia Bomfim. A parlamentar questionou a postura do desembargador, argumentando que sua visita a um suspeito de um crime grave pode comprometer a percepção de independência do Judiciário.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que não comenta processos em tramitação em outros órgãos, e o desembargador Cogan não se pronunciou publicamente sobre o caso.

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Investigação Aponta Feminicídio e Manipulação da Cena

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está preso no Presídio Militar Romão Gomes desde a decretação de sua prisão preventiva, baseada em indícios de feminicídio. Inicialmente, ele alegou que a esposa teria cometido suicídio, uma versão que foi refutada por laudos periciais.

Exames necroscópicos e de reconstituição indicaram que Gisele Alves Santana foi atingida por um disparo na têmpora, com trajetória de baixo para cima, e que teria sido abordada por trás. Peritos também identificaram sinais de manipulação da cena do crime, como a posição da arma e vestígios de sangue em locais que contradizem o depoimento do acusado.

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A decisão judicial que determinou a prisão preventiva ressaltou que “o mosaico probatório afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com a mão esquerda do agressor na mandíbula/face e a arma na mão direita dirigida à têmpora”. A análise forense apontou ainda para manipulações posteriores, incluindo a posição da arma, limpeza e banho do autor, além de contradições sobre sua alegação de estar no banho no momento do disparo.

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A defesa do tenente-coronel mantém a tese de suicídio e criticou a decretação da prisão preventiva, alegando que as mensagens foram retiradas de contexto e que a vida privada do investigado foi exposta indevidamente.

O caso continua sob investigação, com desdobramentos esperados tanto na esfera criminal quanto na disciplinar envolvendo o magistrado.

Fonte: 247

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