O ex-tesoureiro do PT e condenado no processo do Mensalão, Delúbio Soares, voltou a criticar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Em entrevista ao Poder360, Delúbio classificou Barbosa como um magistrado “desqualificado” e declarou sua intenção de pedir a revisão criminal de sua condenação no caso que abalou o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Delúbio Soares sustenta que foi condenado sem provas no julgamento do Mensalão. Segundo ele, mudanças posteriores na jurisprudência do STF e decisões recentes em outros casos de grande repercussão abriram margens para questionar as sentenças proferidas contra os réus do processo.
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Barbosa retorna ao debate político
As declarações de Delúbio ocorrem em um momento de retorno de Joaquim Barbosa ao debate político nacional. O ex-ministro, que ganhou notoriedade ao relatar o julgamento do Mensalão, é novamente citado como um possível candidato à Presidência da República em 2026.
Delúbio também almeja disputar as próximas eleições. Ele afirmou ser pré-candidato a deputado federal por Goiás e expressou o desejo de contribuir para a reeleição de Lula.
Comparação com o escândalo do Banco Master
Ao comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-tesoureiro comparou o escândalo envolvendo o Banco Master ao Mensalão. “Eu que vivi duas grandes operações, que foram uma mentira contada. Esse caso do Banco Master é de outra natureza”, disse.
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Delúbio acrescentou que a operação do Mensalão “tinha nome, endereço e como foi feita a operação. Depois de muito tempo, foi esclarecida”.
Trajetória de Delúbio Soares
Delúbio Soares foi expulso do PT em meio ao escândalo do Mensalão, mas retornou ao partido em 2011. No ano seguinte, o STF o condenou por corrupção ativa e formação de quadrilha, com pena inicial de 8 anos e 11 meses de prisão.
Posteriormente, o STF afastou a condenação por formação de quadrilha, reduzindo a pena para 6 anos e 8 meses. O ex-tesoureiro cumpriu parte da punição em regime fechado e em prisão domiciliar monitorada.
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Em 2016, foi beneficiado pelo indulto natalino concedido pela então presidente Dilma Rousseff, tendo sua pena extinta.
Delúbio também foi condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro e preso em 2018. Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou essa condenação, apontando que a 13ª Vara Federal de Curitiba não possuía competência para julgar o caso.
Contestação do julgamento do Mensalão
Na entrevista, Delúbio reiterou críticas antigas ao julgamento do Mensalão, conduzido pelo STF entre 2012 e 2013. O ex-dirigente petista alega que o tribunal teria adotado interpretações excepcionais para condenar membros do PT e aliados políticos.
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A condenação de Delúbio ocorreu no âmbito da Ação Penal 470, que investigou um esquema de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato de Lula. Joaquim Barbosa, como relator da ação, votou pela condenação do então tesoureiro petista por crimes relacionados ao esquema, posição que foi acompanhada pela maioria da Corte.
Delúbio afirma ser inocente e, por isso, pretende pedir a revisão criminal. “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão”, declarou.
Ele sustenta que outros condenados no Mensalão também considerarão pedir a revisão criminal. “Mas, no momento, temos que aguardar a distensão, baixar a temperatura”, afirmou Delúbio.
Barbosa no radar eleitoral
As críticas de Delúbio a Joaquim Barbosa coincidem com a reaparição do ex-ministro no cenário político. Apontado por setores da Democracia Cristã como potencial candidato à Presidência, Barbosa voltou a ser mencionado em articulações para a eleição de 2026.
Barbosa consolidou sua projeção nacional como relator do Mensalão, processo que resultou na condenação de 25 réus, incluindo figuras proeminentes do PT e de partidos aliados. O julgamento o transformou em um dos símbolos do combate à corrupção no país.
Apesar da notoriedade, o ex-presidente do STF nunca disputou eleições. Ele já havia sido cotado para concorrer à Presidência em 2018 e 2022, mas desistiu antes do início das campanhas.
Fonte: Poder360