O governo boliviano declarou estado de exceção em todo o país para pôr fim a mais de 50 dias de bloqueios de estradas que paralisaram o transporte e o abastecimento em diversas regiões, incluindo a capital La Paz.
A decisão, ratificada pela Assembleia Legislativa, busca restabelecer a normalidade após um período de intensos protestos antigovernamentais que culminaram na escassez de combustíveis e alimentos, impactando severamente a economia nacional.
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Empresários estimam perdas superiores a US$ 2 bilhões devido à interrupção das rotas comerciais. A medida de exceção autoriza as forças de segurança a desobstruir as vias, permitindo o retorno gradual do fluxo de caminhões e o reabastecimento das cidades.
Pausa nos protestos e celebrações tradicionais
A declaração do estado de exceção coincidiu com a celebração do Ano Novo Andino, uma data marcada por rituais ancestrais em homenagem à Pachamama. A tradição, que celebra o solstício de inverno, serviu como um momento de trégua para muitos dos manifestantes.
Um dos principais sindicatos rurais envolvidos nos bloqueios anunciou uma pausa nas mobilizações até a próxima semana. A organização determinou a retirada de seus membros das estradas para avaliar a situação e permitir a participação nas festividades tradicionais.
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Apesar da trégua geral, o sindicato cocaleiro, ligado ao ex-presidente Evo Morales, mantém os protestos. O governo acusa o grupo de instigar as manifestações para buscar impunidade em investigações judiciais contra Morales por suposto abuso de uma menor.
Contexto político e judicial
Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, encontra-se em seu reduto no Chapare desde 2024, recusando-se a comparecer perante a justiça. As autoridades bolivianas o acusam de ser o principal articulador dos protestos com o objetivo de evitar a continuidade das investigações.
As forças de ordem, que já atuam na desobstrução das rotas em outras regiões, ainda não intervieram no Chapare, onde os bloqueios persistem. O governo alega que o controle exercido pelos sindicatos cocaleiros na região é facilitado pela presença de máfias ligadas ao narcotráfico.
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Impacto econômico e social
A prolongada crise gerada pelos bloqueios de estradas agravou a já delicada situação econômica da Bolívia, que enfrenta sua pior crise em quatro décadas. A falta de combustíveis e o desabastecimento de alimentos afetaram diretamente a população e a recuperação econômica do país.
A paralisação do transporte rodoviário impediu a circulação de centenas de caminhões, gerando grandes prejuízos logísticos e financeiros para diversos setores da economia boliviana. A expectativa é que a normalização das rotas a partir do estado de exceção contribua para a recuperação gradual do abastecimento e da atividade econômica.
Fonte: Mundo
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