O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em processo de calibragem cuidadosa de sua resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A principal preocupação no Palácio do Planalto é que a manifestação oficial possa ser interpretada como uma defesa de criminosos, o que entraria em choque com o discurso de endurecimento contra o crime organizado que Lula tem adotado recentemente.
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Surpresa diplomática e preocupações com soberania
O anúncio feito pelo Departamento de Estado Americano pegou de surpresa o governo brasileiro, que vinha trabalhando nos bastidores para evitar tal classificação.
A estratégia brasileira consistia em propor uma ampliação da cooperação policial e de inteligência entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional, em vez de uma designação que pudesse ser vista como interferência.
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, já sinalizou a posição brasileira ao afirmar que, embora a cooperação internacional seja bem-vinda, qualquer pretexto para intervenção é inaceitável.
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Impactos jurídicos e institucionais em debate
A avaliação no Planalto é que a medida americana, embora seja uma prerrogativa legal dos EUA, pode gerar consequências sensíveis para a soberania nacional e para a dinâmica da cooperação bilateral em segurança.
A preocupação do governo não reside apenas nas facções criminosas em si, mas nos potenciais efeitos jurídicos, diplomáticos e institucionais que essa designação pode desencadear.
O receio é que a medida abra margem para desdobramentos legais imprevisíveis e afete diretamente a percepção brasileira sobre a preservação de sua autonomia e soberania nas questões de segurança interna e relações internacionais.
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A classificação de organizações como terroristas por um país estrangeiro pode ter implicações significativas em acordos de cooperação, extradições e na atuação de agências de segurança, gerando um cenário complexo para o relacionamento bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Fonte: g1.globo.com