A administração Donald Trump adota uma postura cada vez mais agressiva em relação a Cuba, utilizando ferramentas legais e econômicas para pressionar por mudanças políticas e econômicas na ilha. A recente apresentação de acusações criminais contra Raúl Castro, ex-líder de Cuba, por seu suposto envolvimento no abate de aeronaves do grupo “Irmãos ao Resgate” em 1996, sinaliza uma escalada na estratégia americana.
A denúncia, formalizada em Miami, acusa Castro, que na época ocupava o cargo de Ministro da Defesa, de ordenar a ação que resultou na morte de quatro pessoas. Embora formalmente aposentado da presidência em 2021, Castro ainda é considerado o líder de fato de Cuba, exercendo influência decisiva sobre as principais decisões do país.
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Estratégia de Pressão Econômica e Legal
As ações contra Cuba ecoam a estratégia empregada contra a Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro. O governo dos EUA classifica essas operações como medidas de aplicação da lei, argumentando que Cuba representa um risco à segurança nacional devido ao seu status de Estado falido, apoio a China e Rússia, e ao fluxo migratório.
Essa nova fase de pressão segue meses de coerção, incluindo o bloqueio de embarques de combustível para a ilha e a pressão sobre países regionais para cortar o fornecimento de moeda forte. Em resposta, Havana tem feito concessões limitadas, como permitir a importação de combustível por empresas privadas e o investimento de cubanos no exterior.
Insatisfeitos com as concessões, Trump e o senador Marco Rubio intensificaram as medidas. Em maio, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções à Gaesa, conglomerado militar que controla grande parte da economia cubana e é visto como o “coração do sistema comunista cleptocrático de Cuba”, nas palavras de Rubio.
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A pressão diplomática também se intensificou com a visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana. Ele se reuniu com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, alertando sobre a necessidade de “mudanças fundamentais” e oferecendo US$ 100 milhões em ajuda, a ser distribuída com a coordenação da Igreja Católica.
A oferta de ajuda, no entanto, parece não ter sido bem recebida. Pouco depois, novas sanções foram impostas a partes do aparato político e de segurança cubano, incluindo o serviço de inteligência do regime.
Demandas e Cenários Futuros
Os Estados Unidos expressam publicamente o desejo por reformas econômicas, libertação de prisioneiros e indenização por propriedades expropriadas. Há também a expectativa de mudanças mais drásticas, como a dissolução da Gaesa e uma transição para a democracia.
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A possibilidade de uma ação militar americana contra Cuba, a primeira em seis décadas, não é descartada. Em resposta, o regime cubano tem intensificado o treinamento militar de civis e distribuído panfletos sobre como se preparar para a guerra. O presidente Miguel Díaz-Canel alertou que um ataque resultaria em “um banho de sangue de proporções incalculáveis”.
A acusação contra Raúl Castro pode ser vista como uma forma de agradar aos exilados em Miami, que pressionam por uma postura mais agressiva de Trump. No entanto, a aplicação da lei também pode servir como moeda de troca em negociações futuras.
Crise Econômica Agravada
A situação econômica de Cuba é descrita como insustentável. As sanções contra a Gaesa, cujas receitas superam o orçamento estatal, e o controle sobre ativos ilícitos, podem ter um impacto devastador em um país que importa 70% de seus alimentos.
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Empresas de navegação ocidentais já paralisaram operações com Cuba. A ilha enfrenta escassez de diesel e óleo combustível, resultando em apagões de até 22 horas diárias em Havana e dificuldades no acesso a alimentos. A vida cotidiana é marcada pela escassez e pela paralisação de serviços.
A pressão interna aumenta com protestos contra os apagões e um número recorde de presos políticos. A economia cubana pode sofrer uma contração de 15% este ano, segundo estimativas de economistas.
O regime cubano se encontra em uma encruzilhada: aceitar a ajuda americana significaria admitir o fracasso, enquanto rejeitá-la arrisca mais protestos e agrava a crise. De qualquer forma, as opções para Havana parecem cada vez mais limitadas diante da pressão dos Estados Unidos.
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