Minas Gerais enfrenta uma crise iminente em seu sistema prisional. Com 166 unidades abrigando cerca de 72 mil presos, o estado dispõe de apenas 42 mil vagas, configurando um quadro alarmante de superlotação. A situação, denunciada por policiais e especialistas, aponta para um risco de deterioração progressiva da capacidade do Estado em garantir segurança, controle e ressocialização.
Fatores que Agravam a Crise
A socióloga Roberta Fernandes Santos, associada ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que o problema em Minas não é isolado, mas um conjunto de fatores interligados. A superlotação é acompanhada por um baixo efetivo de profissionais e um fortalecimento cada vez maior do crime organizado dentro das próprias unidades prisionais. Essa realidade levou o governo estadual a anunciar medidas para isolar presos faccionados em seis unidades específicas.
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O Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) corrobora as denúncias, apontando para a infraestrutura precária, o sucateamento de equipamentos e as condições de trabalho desgastantes que levam ao adoecimento dos servidores. O presidente do sindicato, Jean Otoni, ressalta que a falta de autonomia da polícia penal dificulta a gestão interna, incluindo a aquisição de viaturas e a oferta de cursos para os profissionais, o que enfraquece o sistema como um todo.
Investimentos e Reformas em Andamento
Em resposta à crise, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) informou ter destinado R$ 170 milhões ao sistema prisional e socioeducativo desde 2021. Os recursos foram aplicados em reformas, ampliações e novas construções, além do reforço na frota da Polícia Penal com 203 viaturas exclusivas e a entrega recente de mais 15 veículos.
O governo mineiro também anunciou a entrega de aproximadamente 2.700 novas vagas em unidades prisionais por todo o estado. Entre as obras em andamento e entregas previstas estão a reforma do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, que aumentou sua capacidade para 798 presos; o presídio de Ubá, com 388 vagas; e novas unidades em Iturama e Frutal, ambas com 388 vagas cada. Outras unidades como Itaúna, Lavras, Poços de Caldas, Alfenas e o Ceresp de Ipatinga também receberão novas vagas e reformas.
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Denúncias e Mortes em Unidades Prisionais
Uma fiscalização da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais no Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, revelou a superlotação crítica. O centro opera com o dobro da capacidade, abrigando 1.588 detentos em um espaço projetado para 798. A situação de superlotação, déficit de profissionais e estrutura precária foi confirmada pela comissão.
O professor Robson Sáveo Reis Souza, especialista em segurança pública e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais, considera o cenário atual a “ponta do iceberg”. Cerca de 80% das denúncias recebidas pelo conselho referem-se ao sistema prisional, totalizando aproximadamente 800 relatos anuais de violações de direitos.
Os meses de fevereiro a maio de 2024 registraram diversas mortes em unidades prisionais mineiras. Casos como os de detentos em Ceresp Gameleira, presídios de Governador Valadares, Ribeirão das Neves e o Complexo Penitenciário Nossa Senhora do Carmo, em Carmo do Paranaíba, evidenciam a gravidade da situação, com mortes ocorrendo por agressões, mal súbito ou suicídio.
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Desafios e Perspectivas
Apesar dos investimentos e da criação de novas vagas, o Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais cobra providências contínuas. O déficit de pessoal é um dos principais gargalos, com cerca de 15 mil policiais penais para atender mais de 70 mil detentos em aproximadamente 160 unidades. A Sejusp-MG informou que, em 2024, cerca de 3,4 mil policiais penais tomaram posse e um novo concurso com 1.178 vagas está em andamento, visando reforçar o efetivo.
A pasta também ressalta os esforços para melhorar as condições de trabalho, incluindo capacitação, modernização de equipamentos e melhorias estruturais. No entanto, a combinação de superlotação, falta de efetivo e fragilidades estruturais mantém o sistema prisional mineiro em estado de alerta, exigindo atenção constante e ações efetivas para evitar um colapso generalizado.
Fonte: Metrópoles
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