O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou o lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, nesta terça-feira (12), com uma declaração contundente: o crime organizado “nunca foi da favela” e as forças de segurança precisam expandir seu olhar para além das periferias.
Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula enfatizou que a atuação policial muitas vezes se concentra nas comunidades de baixa renda, ignorando a presença do crime em esferas mais elevadas da sociedade.
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Críticas à atuação policial e ao sistema de justiça
“Muitas vezes a polícia olha para a favela, mas muitas vezes o crime está no 2º andar, está no Congresso Nacional, no Poder Judiciário, no futebol”, afirmou o presidente.
Lula descreveu o criminoso não como o desempregado da periferia, mas como “o que está no andar de cima, de gravata, tomando uísque”.
Ele também expressou preocupação com a agilidade com que suspeitos de crimes são soltos após a prisão, um ponto recorrente de queixas de governadores, e defendeu mudanças na relação com o Poder Judiciário.
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Programa e cooperação internacional
O novo programa anunciado soma R$ 11,1 bilhões, sendo R$ 1,065 bilhão de recursos diretos do Orçamento da União e R$ 10 bilhões em linha de crédito do BNDES para estados e municípios.
O plano se divide em quatro eixos principais: construção de presídios de segurança máxima, sufocamento financeiro do crime, investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima, destacou que 80% dos líderes de organizações criminosas catalogadas estão concentrados no sistema prisional e ressaltou a importância da suplementação orçamentária aprovada para a viabilização do programa.
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Lula também reiterou a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando ter entregue uma lista de brasileiros ligados ao crime organizado que estariam em Miami, e se colocou à disposição para colaborar com a expertise brasileira no combate internacional.
Apoio e desafios do programa
Representantes de órgãos de segurança e justiça presentes no evento, como Pedro Maia, presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, e Jean Francisco Bezerra Nunes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública, defenderam o plano.
Pontos de atenção incluem a sustentabilidade do programa, que sem prazo de encerramento definido, depende da aprovação da PEC da Segurança Pública, parada no Senado, para garantir financiamento permanente.
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A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o procurador-geral da República Paulo Gonet, o presidente da Câmara Arthur Lira e ministros de Estado.
Fonte: G1