O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, admitiu que a legenda cometeu um equívoco ao não assinar o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (1º), Edinho Silva declarou que o PT deveria ter assumido um papel de protagonismo nas investigações.
A declaração surge em um momento de crescente pressão sobre o governo federal e o partido, com uma série de reveses no Congresso Nacional. Edinho Silva defendeu que, diante da gravidade das denúncias envolvendo a instituição financeira, a base do governo Lula deveria ter liderado o processo investigativo.
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“O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, afirmou o dirigente petista. Ele ponderou que, embora exista uma percepção de que CPIs podem paralisar as atividades do Legislativo e do Executivo, a natureza das alegações exigia uma resposta mais contundente.
Após a entrevista, a assessoria de Edinho Silva esclareceu que a bancada petista protocolou um requerimento próprio para a criação de uma CPI, de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), mas optou por não subscrever o pedido formulado pela oposição.
Origens da crise e defesa do governo Lula
Ao abordar as denúncias de fraude financeira, Edinho Silva buscou dissociar o atual governo federal de qualquer responsabilidade, apontando para a gestão anterior. Ele afirmou que o Banco Master foi constituído e teve suas operações fraudulentas autorizadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), sob a supervisão do Banco Central.
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“As operações que depois foram demonstradas fraudulentas foram autorizadas pelo Banco Central na gestão do Campos Neto (indicado por Bolsonaro)”, disse Edinho. Ele ressaltou que foi o presidente Lula quem determinou à Polícia Federal que estruturasse as investigações para apurar as denúncias de corrupção.
Questionado sobre as menções a políticos petistas da Bahia no relatório da Polícia Federal, como o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa (Casa Civil), Edinho negou qualquer envolvimento ilícito. O presidente do PT defendeu que a questão central a ser respondida é o motivo pelo qual o banco obteve autorização para operar sem lastro financeiro durante o governo anterior.
Derrotas no Congresso e instabilidade institucional
A avaliação sobre a CPI do Banco Master ocorre em um contexto de reveses para o Palácio do Planalto no Congresso. Edinho Silva criticou veementemente a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Ele classificou o bloqueio à indicação do atual advogado-geral da União como um “grave erro” que fomenta a instabilidade institucional e reflete uma tentativa do Legislativo de enfraquecer o Poder Judiciário.
Outro ponto de forte crítica foi a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduziu as penas para condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro. Para Edinho, ao aprovar a medida, o Congresso “vira as costas para a sociedade” e ignora a gravidade da tentativa de ruptura democrática.
Crítica ao sistema político e emendas parlamentares
Diante dos atritos crescentes, o presidente do PT declarou que o modelo político brasileiro “ruiu” e está “totalmente destruído”. Ele citou como sintoma desse esgotamento o volume expressivo de emendas parlamentares impositivas, que devem alcançar R$ 60 bilhões no Orçamento de 2026.
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Segundo Edinho, as emendas parlamentares se tornaram uma “moeda de troca”, usurpando o poder do Executivo e fragilizando o sistema político como um todo.
Terras-raras e soberania nacional
Na mesma entrevista, Edinho Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações feitas nos Estados Unidos sobre as reservas de terras-raras brasileiras. O petista classificou como um “absurdo” a fala do congressista de oferecer os minerais como solução para a indústria tecnológica e de defesa norte-americana.
O dirigente petista argumentou que o tema reforça a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional soberano. Edinho afirmou que o governo Lula enxerga esses recursos como base para a revitalização industrial do país, e não apenas como commodities para exportação.
Jornada de trabalho e produtividade
Edinho Silva também defendeu o fim da escala de trabalho 6 X 1, classificando a resistência à medida como “falta de inteligência”. Para o presidente do PT, o Brasil precisa discutir seriamente a redução da jornada de trabalho diante do avanço tecnológico e da diminuição de postos de emprego.
Ele ressaltou que a proposta do governo de reduzir a carga horária para 40 horas semanais é uma medida necessária para que o ganho de produtividade se traduza em aumento de consumo. “Se não for assim, não adianta aumentar a produtividade. Não vai ter quem consuma”, argumentou.
Candidatura de Lula em 2026
Diante das turbulências e da queda de braço com o Congresso, Edinho Silva afastou qualquer possibilidade de o presidente Lula não disputar as eleições de 2026. Ele reafirmou que o atual chefe do Executivo é o candidato do partido e o líder mais preparado para conduzir o país.
Fonte: O Estado de S. Paulo