Brasília/Belo Horizonte – A articulação política em torno do Governo de Minas Gerais vive um momento de tensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém o apoio à eventual candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ao governo mineiro, mesmo diante da desconfiança de setores petistas. A rejeição de Jorge Messias, indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (29), intensificou as dúvidas sobre a lealdade de Pacheco e gerou um clima de apreensão em Minas.
Desgaste no Planalto e a crise do STF
Aliados de Lula avaliam que Pacheco, apesar de ter feito acenos a Messias, teria contribuído para a articulação que levou à rejeição do advogado-geral da União no Senado. A votação, que resultou em 34 votos favoráveis a Messias – abaixo dos 41 necessários –, é vista por parte do grupo petista como um reflexo direto da insatisfação com a escolha de Lula para o STF, que acabou preterindo o nome de Pacheco, um advogado com forte trânsito na Casa.
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Quando as suspeitas sobre a lealdade de Pacheco foram levadas a Lula, o presidente teria reforçado a orientação para que o apoio ao senador mineiro seja mantido. Ele argumenta que a votação no Senado não guarda relação direta com o projeto eleitoral em Minas Gerais. Contudo, a base do PT no estado demonstra incerteza quanto à sustentação da candidatura de Pacheco, especialmente após o desgaste provocado pela derrota de Messias.
Pacheco se defende e avalia viabilidade
Por outro lado, aliados de Pacheco consideram injusta a suspeita de que ele tenha agido contra o governo. Relatos indicam que o senador teria, inclusive, auxiliado Messias, levando-o a eventos onde pôde dialogar com figuras influentes como Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Pacheco, em conversas com interlocutores, afirma manter a disposição para disputar o governo de Minas, desde que a candidatura apresente viabilidade política e eleitoral concreta.
A rejeição de Messias, no entanto, pode abalar esse planejamento. O entorno do senador sinaliza que pressões ou constrangimentos por parte do PT poderiam levá-lo a desistir da empreitada. A situação se agravou com a não participação de Pacheco na votação do Congresso que derrubou o veto de Lula à redução de penas para condenados por golpismo, um ato que, segundo governistas, demonstraria boa vontade política.
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Minas Gerais: um colégio eleitoral decisivo
A disputa em Minas Gerais, segundo estado com maior número de eleitores no país, é crucial para as pretensões presidenciais. Historicamente, vencer em Minas tem sido um termômetro para o sucesso na eleição presidencial, com exceção de 1950. Em 2022, Lula venceu no estado por uma margem apertada, com 50,2% dos votos no segundo turno, um reflexo da forte polarização nacional.
A construção de palanques fortes em estados como Minas Gerais é fundamental para garantir o volume de votos necessário para a campanha presidencial, o chamado “montar de palanques”. Por isso, a desistência de Lula em lançar Pacheco como candidato só ocorreria caso surgisse uma alternativa viável e com potencial para liderar a campanha petista no estado. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), já se manifestou em defesa de Pacheco, argumentando que ele não deve ser responsabilizado pela derrota de Messias e que permanece como a melhor opção para o grupo.
Alternativas e o cenário político mineiro
O pragmatismo de Lula, segundo aliados, favorece a manutenção da candidatura de Pacheco, dada a escassez de alternativas robustas no PT para liderar a disputa em Minas. No entanto, outros nomes já circulam nos bastidores. O empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar e aliado do petista, filiou-se recentemente ao PSB, abrindo a possibilidade de uma candidatura ao Senado ou até mesmo ao governo. O PDT, por sua vez, já lançou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, como pré-candidato, e aguarda apoio do PT na capital mineira e no estado.
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A complexidade do cenário político mineiro, com suas diversas forças regionais e a importância estratégica do estado para o equilíbrio nacional, torna a definição de candidaturas um processo delicado. A relação entre o Planalto e o Congresso, marcada por recentes atritos, adiciona uma camada extra de incerteza à articulação em Minas Gerais.
Fonte: BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)