O diretor interino do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), Todd Lyons, anunciou que deixará o cargo no final de maio. Lyons, que desempenhou um papel central na execução da agenda de deportações em massa do ex-presidente Donald Trump, comunicou sua saída nesta quinta-feira (16).
Mudança em Momento Crítico
A renúncia de Lyons ocorre em um período de intensa fiscalização sobre o ICE e em meio a mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna (DHS). O Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, confirmou a saída, elogiando Lyons como um líder que contribuiu para a segurança das comunidades americanas.
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Lyons assumiu a direção interina do ICE em março de 2025. Sob sua gestão, a agência recebeu um aporte financeiro significativo do Congresso, destinado à expansão de suas capacidades de contratação e detenção, além de intensificar as operações de prisão para atender às demandas do governo.
Controvérsias e Escrutínio Legislativo
O ICE tem sido alvo de controvérsias, especialmente em relação a operações de fiscalização imigratória em grandes cidades americanas, como Chicago e Minneapolis. Uma dessas operações foi suspensa após repercussão negativa, motivada pela morte de dois manifestantes pelas mãos de agentes federais de imigração.
Stephen Miller, arquiteto da política de imigração de Trump, descreveu Lyons como um “líder dedicado”. Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, o definiu como “um patriota americano que tornou nosso país mais seguro” em uma postagem na rede social X.
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A saída de Lyons levanta questões sobre sua sucessão. Quem quer que assuma a liderança do ICE enfrentará uma agência com recursos financeiros robustos, mas que continua sendo um foco de debate acirrado no Congresso. Parlamentares democratas têm exigido restrições às ações dos agentes de imigração como condição para a restauração do financiamento regular do DHS.
Depoimento no Congresso e Percepção Pública
Na mesma quinta-feira da notícia da renúncia, Lyons compareceu a uma subcomissão da Câmara dos Representantes para defender o orçamento do ICE, onde enfrentou questionamentos sobre as ações da agência. Ele já havia sido questionado no Congresso sobre as mortes de manifestantes, mas recusou-se a pedir desculpas ou a comentar investigações em andamento.
Lyons, que ingressou no ICE em 2007, também foi responsável pela assinatura de um memorando que concedeu aos agentes federais de imigração amplos poderes para realizar entradas forçadas em residências e prisões sem mandado judicial. A percepção pública sobre o ICE tem sido majoritariamente desfavorável, segundo pesquisa da AP-NORC realizada em fevereiro.
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A renúncia de Lyons também se dá em um contexto de transição no Departamento de Segurança Interna, após a nomeação de Markwayne Mullin como Secretário. Embora Mullin tenha adotado um tom mais moderado em algumas políticas, espera-se que ele continue a impulsionar a agenda do governo.
Fonte: Associated Press