A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros foi palco, nesta terça-feira (17/3), de um importante encontro para traçar novas estratégias de combate às zoonoses em Minas Gerais. Coordenadores de vigilância em saúde e técnicos de endemias de 54 municípios do Norte de Minas participaram da reunião, que visa fortalecer as Unidades de Vigilância de Zoonoses (UVZ) em todo o estado.
Diagnóstico Situacional Apresentado
Conduzido por José Honorato Begalli, referência técnica da Coordenação Estadual de Vigilância das Zoonoses, o evento apresentou um diagnóstico detalhado das ações e serviços de zoonoses. As informações, coletadas em dezembro de 2025, serviram de base para a discussão de políticas públicas mais eficazes, considerando as particularidades de cada região mineira.
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As UVZs, antigamente conhecidas como Centros de Controle de Zoonoses (CCZ), desempenham um papel crucial no Sistema Único de Saúde (SUS). Elas são responsáveis pela prevenção e controle de doenças como raiva, leishmaniose, leptospirose e esporotricose, que podem ser transmitidas de animais para humanos.
Atividades Essenciais das Unidades de Vigilância
As atividades dessas unidades são amplas e incluem o monitoramento de focos de doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela. Além disso, realizam a coleta de amostras, controle populacional de animais (cães, gatos, cavalos), manejo de animais sinantrópicos (roedores, pombos, morcegos) e peçonhentos (escorpiões, aranhas), vacinação antirrábica, diagnóstico de zoonoses e ações educativas para a população.
Foco nas Necessidades Regionais
“Levando em conta as características e as necessidades regionais, estamos iniciando a apresentação do diagnóstico da situação das Unidades de Vigilância de Zoonoses pelas regiões Norte e Nordeste de Minas”, explicou José Begalli. Ele ressaltou a importância de avaliar, junto aos municípios, as estratégias para a formulação de políticas públicas que reforcem o trabalho dos profissionais, adaptando as ações às peculiaridades de cada território.
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Milton Formiga, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde na SRS de Montes Claros, destacou a relevância do alinhamento de informações entre a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e os municípios. Rita de Cássia Rodrigues, coordenadora de vigilância epidemiológica na SRS de Montes Claros, enfatizou a necessidade de conhecer a realidade municipal para definir diretrizes que promovam a integração dos profissionais de diversos segmentos da saúde.
Avaliação Abrangente das Estruturas
O diagnóstico da SES-MG abrangeu aspectos como a infraestrutura das unidades, a capacitação e disponibilidade de profissionais, a contratação de veterinários, a estrutura para exames laboratoriais, consultas veterinárias, castração e microchipagem de animais, além de condições para atendimento à população e ações de educação em saúde.
Nesta quarta-feira (18/3), José Begalli, Milton Formiga, Rita Rodrigues e Amanda Andrade Costa, referência técnica da SRS de Montes Claros, realizarão uma visita à Unidade de Vigilância de Zoonoses de Montes Claros para observar as práticas in loco.
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Cenário da Esporotricose em Evidência
Durante o encontro, José Begalli também apresentou o cenário atual das leishmanioses tegumentar e visceral, e da esporotricose. Esta última, uma micose subcutânea transmitida principalmente por arranhaduras ou mordidas de gatos infectados, tem ganhado atenção especial. Anteriormente considerada uma doença ocupacional, hoje a forma zoonótica, via contato com gatos doentes, é a principal via de contágio em áreas urbanas.
A esporotricose se manifesta por lesões cutâneas, que podem evoluir para feridas. Em casos raros, pode afetar pulmões, ossos e articulações, mas possui cura com tratamento prolongado oferecido pelo SUS. Nos gatos, os sintomas incluem feridas na face e patas, espirros e secreção nasal. A prevenção envolve evitar o acesso livre de gatos à rua e o uso de luvas por pessoas ao manusear terra ou material orgânico.
A cremação de animais que vêm a óbito é recomendada para evitar a contaminação do solo.
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Fonte: O Tempo