O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, lançou fortes acusações contra o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista à GloboNews, Costa afirmou que Vorcaro teria utilizado patrocínios em veículos de mídia como uma estratégia deliberada de “blindagem” diante de investigações envolvendo seu banco.
As declarações foram dadas em resposta a um questionamento da jornalista Malu Gaspar sobre os limites das apurações e possíveis conexões com o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Rui Costa, que é pré-candidato ao Senado pela Bahia, não mencionou Daniel Vorcaro nominalmente, mas a referência a patrocínios em eventos e programas jornalísticos foi clara.
O ex-ministro atribuiu a ascensão de Vorcaro ao setor bancário ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e sua diretoria. Ele relembrou que dois diretores do BC foram investigados e tiveram seus bens bloqueados, acusados de receberem vantagens indevidas para não fiscalizar o banco.
As investigações apontam que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-diretores do Banco Central nomeados na gestão de Campos Neto, atuaram como “consultores informais” de Daniel Vorcaro. Essa rede de influência seria parte da tentativa de blindagem.
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A “Teia de Blindagem” de Vorcaro
Segundo Rui Costa, a estratégia de Vorcaro envolvia a celebração de contratos com diversos setores, incluindo políticos e advogados, além de pessoas próximas a juízes, para construir uma rede de proteção.
“E é evidente que muitos desses contratos poderiam ser, eventualmente, contratos preventivos que ele [Vorcaro] fazia, até patrocinando, ele patrocinou muitos programas jornalísticos, de jornais, de blogs, de TVs, ele saía numa gastança de patrocinar muita coisa, porque ele queria ter uma teia de blindagem”, declarou o ex-ministro.
Um exemplo citado foi a participação de Daniel Vorcaro como expositor de abertura do 1º Summit Valor Econômico Brazil-USA, em Nova York, em maio de 2024. O evento, organizado pelo jornal Valor Econômico (pertencente à Editora Globo), contou com o Banco Master em uma cota principal de apresentação.
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Apesar das acusações, Rui Costa ressaltou que patrocínios, por si só, não configurariam participação em irregularidades. “E não necessariamente coisas que ele patrocinou, se ele patrocinou um programa de televisão, se ele patrocinou algum evento, alguma palestra, não necessariamente alguém que está sendo patrocinado, tinha algum conluio com ele nesses crimes que ele cometeu”, ponderou.
Contexto das Investigacões
As declarações de Rui Costa ocorrem em um contexto de investigações sobre o Banco Master e suas operações financeiras. A atuação do Banco Central na fiscalização e a possível influência de intermediários na liberação de operações bancárias são pontos centrais nas apurações.
A menção a diretores do Banco Central com tornozeleiras eletrônicas reforça a gravidade das acusações de corrupção e tráfico de influência no setor financeiro.
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A estratégia de “blindagem” denunciada por Rui Costa sugere uma tentativa coordenada de influenciar a opinião pública e o ambiente regulatório através de investimentos em mídia e relações estratégicas.
O caso levanta questões sobre a transparência nas relações entre o setor financeiro, a mídia e os órgãos de controle, bem como a influência do poder econômico nas investigações e na percepção pública.
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