Em um relato de coragem e fé, Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, 41 anos, descreveu a experiência aterradora de ter sido empurrada de um penhasco de 50 metros na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mesmo diante da iminência da morte, ela afirma ter sentido uma força interior que a impedia de desistir.
A força em meio ao desespero
“Naquele momento, eram os meus filhos o tempo todo [em quem pensava]. Ali era o meu fim, só que, mesmo na queda, parece que Deus estava tão presente na minha vida. Caindo, eu senti que não ia morrer”, contou Ana Cláudia ao programa Fantástico, neste domingo (31).
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Após 24 horas de buscas intensas, com a participação de vinte militares do Corpo de Bombeiros e policiais, utilizando técnicas especializadas e uma aeronave Arcanjo, Ana Cláudia foi encontrada agarrada a um arbusto, a uma distância considerável do ponto de onde foi lançada.
O pesadelo que se desenrolou em Minas
A vítima narrou os momentos de terror antes do crime, cometido pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo Santos, 52 anos, que já confessou o ato e foi preso por tentativa de feminicídio. Segundo Ana Cláudia, após deixar a filha na escola, percebeu que estava sendo perseguida pelo ex-companheiro de carro.
Ele a alcançou, a forçou a entrar no veículo sob ameaça de faca e disse que queria conversar em outro local. Durante o trajeto, ele demonstrava nervosismo e agitação. “Numa hora eu falei pra ele: ‘Você vai me levar pra me matar’. Ele disse, cínico: ‘Eu não vou te matar, eu te amo'”, relatou.
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A brutalidade no Parque Estadual da Serra do Rola Moça
Ao chegarem ao Parque Estadual da Serra do Rola Moça, nas imediações de Belo Horizonte, Silvanildo a agrediu e começou a procurar um local para jogá-la do penhasco. Ele teria andado com ela próximo à beirada, murmurando que ela não morreria ali, e em outros pontos, repetindo a mesma frase. Ana Cláudia tentou se debater, mas sem sucesso.
A diarista descreveu o frio intenso que sentiu, vestindo apenas uma blusa fina. “Lá é muito frio. Encontrei um buraco numa pedra e foi onde me encaixei pra passar a noite. Vi umas luzes e achei que era ele me procurando.” Somente na manhã seguinte o resgate chegou.
Histórico de violência e pedido de socorro
Ana Cláudia revelou que já havia denunciado o ex-companheiro em 2020, mas, na época, ele foi à delegacia e não chegou a ser preso. Agora, ela faz um apelo para que outras mulheres vítimas de agressão não se calem.
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“Se está acontecendo, fala. Eu omiti muitas coisas. Eu unia o que ouvia de um com o que ouvia de outro e pensava: ‘Gente, eu não preciso disso'”, desabafou.
Prisão e medida protetiva
Silvanildo foi preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais, na manhã da terça-feira (26). A prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte. A vítima já possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro desde 21 de maio, o que foi citado pela juíza Renata Nascimento Borges como fator que reforça o perigo em liberdade do acusado.
“Tal circunstância reforça sobremaneira o perigo concreto gerado pelo estado de liberdade do autuado, pois evidencia que a resposta estatal anteriormente adotada para proteção da ofendida não teria sido suficiente para impedir a escalada da violência”, escreveu a magistrada.
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Em vídeo, o suspeito admitiu ter empurrado a ex-mulher do penhasco, alegando ter sido ameaçado e chamado de estuprador pela enteada. Ele também afirmou ter descido para tentar buscar a vítima, mas sem sucesso, e confessou o uso de um canivete para ameaçá-la.
Fonte: G1